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Educação

Reitoria será desocupada na manhã desta segunda-feira (30), diz UnB

Após reunião no sábado (28), representantes da universidade e do movimento estudantil fecharam acordo para o fim do ato

28/04/2018 22:40, atualizado 29/04/2018 22:41
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Igo Estrela/Especial para o Metrópoles
Reitoria será desocupada na manhã desta segunda-feira (30), diz UnB

A desocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) ocorrerá nesta segunda-feira (30/4). A administração da instituição e representantes do movimento estudantil chegaram a um acordo após quatro horas de reunião no sábado (28/4), conforme informou o chefe de gabinete da reitoria, Paulo César Marques. A entrega do prédio está marcada para as 9h. Cerca de 100 alunos ainda participam da ocupação, que dura 19 dias. Na noite de domingo (29/4), os manifestantes fizeram um mutirão para limpar as dependências do prédio.

Segundo Marques, os estudantes deliberaram pela saída pacífica. As partes chegaram a um consenso sobre quatro reivindicações, que foram divulgadas em nota conjunta. O compromisso com a transparência das ações da UnB está presente em todos os itens da pauta, adiantou o gestor. Ainda está prevista para as 8h uma vistoria com o objetivo de avaliar possíveis prejuízos

À frente das negociações, o chefe de gabinete da reitoria comemorou o resultado das inúmeras rodadas de conversas. “Para nós, sempre é uma vitória conseguir superar os impasses com diálogo, dentro da comunidade, e não ter que usar nenhuma medida administrativa ou recorrer a outros órgãos”, destacou.

Procurado, o movimento Ocupa UnB confirmou que os estudantes aceitaram a proposta da UnB de deixar o prédio.

Tensão na Esplanada
Após confronto na Esplanada dos Ministérios entre polícia e alunos, o comando da UnB esperava uma desocupação imediata após a notificação extrajudicial, divulgada na quinta-feira (26), na qual cobrava o fim do movimento até as 23h59.

Os manifestantes pleiteavam a liberação de verbas para a instituição por parte do Ministério da Educação e, para isso, cobram uma reunião com integrantes da pasta. Os universitários ainda são contra o aumento de preço nas refeições do Restaurante Universitário (RU) e as demissões de terceirizados. Pediam também a manutenção de todos os estágios remunerados e bolsas de permanência estudantil, além de uma auditoria pública dos contratos de serviços terceirizados e a revogação da emenda do teto dos gastos.

A UnB vive uma das maiores crises financeiras da sua história. As contas não fecham e a estimativa é de que o rombo de 2018 fique em R$ 92,3 milhões. Para tentar equilibrar as finanças, a instituição vai precisar cortar R$ 39,8 milhões em despesas. Em contrapartida, terá de aumentar a receita em R$ 50,8 milhões, o que inclui remanejamentos orçamentários para atender às necessidades de custeio das atividades acadêmicas. A universidade ainda precisa aumentar o teto orçamentário, pois corre o risco de não conseguir usar o que captar.

Movimento começa em Planaltina
Enquanto o movimento estudantil no campus Darcy Ribeiro encaminha para a desocupação, no campus de Planaltina a situação é outra. Na sexta-feira (27), estudantes fecharam as entradas dos prédios da Faculdade UnB Planaltina (FUP) e realizaram uma assembleia, na qual decidiram entrar em greve.

Em nota, o comando de greve estudantil informou que, embora as salas de aula estarão fechadas, ações com a comunidade local, pesquisa e extensão poderão ocorrer. Alguns banheiros serão isolados porque a limpeza será realizada pelos alunos. Às 9h de segunda-feira está marcada uma reunião com os professores para negociação sobre o calendário do movimento.

A pauta de reivindicações é semelhante a do campus da Asa Norte. Os alunos da FUP, porém, também pedem a manutenção das cadeiras que representam os estudantes e a comunidade nos conselhos deliberativos da faculdade.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DO COMANDO DE GREVE ESTUDANTIL DA FACULDADE UNB PLANALTINA 
O orçamento previsto pela gestão da universidade para 2018 é de 214 milhões de reais, mas o repasse do MEC é de 137 milhões, que supre só 64% da manutenção da universidade. Reflexo disso é um pacote de austeridade que a UnB enfrenta, com demissão em massa dos terceirizados, precarizando serviços e sucateando departamentos, institutos e faculdades. Com a demissão de mais de 1,1 mil estagiários, o funcionamento pleno da universidade fica prejudicado, como é o caso da BCE, que encontra-se fechada, entre tantos outros laboratórios e pesquisas cientificas que já acabaram ou estão ameaçadas.


Diante esses ataques à educação pública de qualidade as/os estudantes da Faculdade UnB de Planaltina se mobilizaram para barrar os cortes, realizaram uma Assembleia Geral Estudantil e deliberaram estado de greve.

1. Haverá mobilização durante os dias de greve, com ações dentro e fora da Faculdade UnB de Planaltina aberto a todos/as;

2. O motivo do piquete instaurado (na sexta 27/04), foi devido aos professores não respeitaram o estado de greve dos estudantes e dos servidores, a partir da assembleia dos estudantes, foi votado que ações com a comunidade local, pesquisa e extensão poderão ocorrer, mas não haverá a utilização das salas de aula;

3. Foi construído um Comitê de Greve, que está aberto a conversas a fim de promover união entre toda a comunidade acadêmica e está responsável pela organização do calendário de atividades semanais;

4. O Comitê de Greve se divide em comissões de: ação e mobilização, comunicação, manutenção, segurança, cultura e demandas, e estão convocando estudantes para participarem das comissões;

5. Alguns banheiros serão isolados, pois a limpeza será realizada por estudantes de acordo com a demanda, dentro comissão de manutenção (Afinal os terceirizados estão em greve);

6. O Comitê de Greve convidou os/as professores/as para uma reunião de comunicação assertiva e negociação a respeito do calendário, no dia 30/04 (segunda-feira) às 9 horas, no auditório do prédio UEP;
Pautas básicas:
• Não demissão dos estagiários e revogação;
• Não ao aumento do preço do RU;
• Não demissão dos terceirizados e revogação;
• Não aos cortes das bolsas MEC da Ledoc;
• Manutenção, aumento e reajuste dos auxílios estudantis;
• Não aos cortes que envolva a permanência da comunidade acadêmica, como o intercampi;
• Pela manutenção das cadeiras que representam os estudantes e a comunidade nos conselhos deliberativos da FUP;
• Funcionamento integral da casa digital;
• Não criminalização do movimento.