Advogada atropelada propositalmente no DF passa por traqueostomia

A moradora do Lago Sul, Tatiana Matsunaga, de 40 anos, está internada na UTI do Hospital Brasília desde o dia 25 e segue em estado grave

atualizado 03/09/2021 12:49

Divulgação/Arquivo pessoal

advogada e servidora da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) Tatiana Machado Matsunaga, 40 anos, atropelada propositalmente pelo também advogado Paulo Ricardo Moraes Milhomem, 37, no dia 25 de agosto, realizou procedimento de traqueostomia nessa quinta-feira (2/9).

Segundo o pai da vítima, o aposentado Luiz Sérgio Machado, os médicos que acompanham o caso, desentubaram Tatiana e realizaram o procedimento avaliando que, assim, ela teria uma “ventilação melhor”.

“A situação continua grave. A torcida é única. Ela precisa acordar. Infelizmente ainda não temos uma melhor notícia do que essa”, pontuou o pai.

A moradora do Lago Sul segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília. A traqueostomia é indicada em casos nos quais é necessário desobstruir vias respiratórias do paciente.

Sedação

Na segunda-feira (30/8), retiraram a sedação de Tatiana.  Na última sexta-feira (27/8), a vítima começou a receber alimentação por sonda enteral e não rejeitou o alimento.

Veja imagens do atropelamento:

A advogada passou por cirurgia no Hospital Brasília no mesmo dia do atropelamento. O acidente foi registrado na QI 19 do Lago Sul. Segundo familiares de Tatiana, ela teve traumatismo craniano, fratura da bacia e fratura exposta do tornozelo.

Câmeras flagraram a perseguição antes de o advogado atropelar Tatiana.

As imagens mostram o Fiat Idea prata dirigido por Paulo Ricardo e o Hyundai Creta branco onde estava Tatiana e o filho, de 8 anos. Pelos vídeos é possível ver que os carros trafegavam rápido, com Tatiana passando sobre um quebra-molas de forma abrupta, na tentativa de escapar do homem que a perseguia.

As câmeras ainda registraram o momento em que a advogada entra no conjunto onde mora e o advogado trabalhista entra logo em seguida, na tentativa de interceptá-la. Após a confusão na frente da casa, onde Paulo Roberto joga o carro sobre a servidora, passando por cima dela, as câmeras flagram o momento em que o motorista foge em alta velocidade.

Veja imagens da perseguição:

Milhomem, autuado por tentativa de homicídio, trabalhou como assessor do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), em cargo de natureza especial, com salário de R$ 5,1 mil, até 2018, quando foi exonerado. O advogado passou por audiência de custódia na quinta-feira (26/8). A Justiça o manteve preso.

Na decisão que converteu o flagrante em prisão preventiva, a juíza Paula Afoncina Barros Ramalho atestou que as circunstâncias indicam, num primeiro juízo, a especial periculosidade do agente e “fornecem base empírica idônea à conclusão de que sua liberdade afetará a ordem pública.”

“Tentou matar a nossa filha”

Para os pais da advogada, o autor do acidente tinha a intenção de tirar a vida da filha deles.

Essa pessoa tentou matar a nossa filha. Felizmente não conseguiu. Essa foi a intenção dele. Inicialmente, pensei que fosse algo sem gravidade. Quando chegamos ao local e vimos ela sangrando, a ficha caiu que era muito sério”, afirmou Luiz Sérgio.

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O Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil seccional DF (OAB-DF) suspendeu, preventivamente, a carteira da OAB de Paulo Ricardo Milhomem. Os advogados consideram que o homem, ao atropelar de propósito uma mulher no DF, deve ter o registro suspenso por 90 dias. O processo de ofício foi analisado nesta terça-feira (31/8), em plenário.

De acordo com o presidente do Tribunal de Ética da OAB, Antonio Alberto do Vale Cerqueira, o processo é embasado em mecanismo da Lei nº 8.906/94, que prevê a suspensão preventiva de um advogado quando o ato desse profissional for grave o suficiente para violar ou macular a imagem da advocacia.

“O Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/DF, respeitando o sigilo do procedimento, mas em respeito ao quanto preceitua a Lei 8.906/94, informa que foi julgado procedente o pedido de suspensão preventiva do advogado Paulo Ricardo Moraes Milhomem, pelo prazo de 90 dias, conforme art. 70, parágrafo terceiro da Lei 8.906/94”, afirmou o presidente da Corte.

Motivo fútil

Inquérito concluído pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e enviado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na terça-feira (31/8) indicia Milhomem por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil.

O MPDFT confirmou o recebimento do inquérito, que está com a Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri. Agora, o órgão de controle deve decidir se apresenta denúncia na Justiça contra Milhomem ou se pede mais investigações à polícia.

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