A “última diária”: veja por dentro imagens do icônico hotel que será implodido. Veja vídeo

Torre Palace Hotel será implodido neste domingo (25/1) após anos de disputas judiciais, operações policiais e invasões

atualizado

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Preparativos para a demolição do prédio do Hotel Torre Palace Metrópoles 3
1 de 1 Preparativos para a demolição do prédio do Hotel Torre Palace Metrópoles 3 - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Quem observa o Torre Palace Hotel do lado de fora dificilmente imagina o que restou em seu interior. A carcaça de concreto que um dia foi símbolo de luxo e sofisticação em Brasília, hoje abriga paredes descascadas, corredores tomados por entulho e um forte cheiro de mofo, que está impregnado nos móveis e nas estruturas antigas do prédio.

Veja:

A equipe do Metrópoles visitou o local quatro dias antes da implosão, marcada para este domingo (25/1), e percorreu os andares do edifício para registrar os últimos vestígios do que foi um dos hotéis mais icônicos de Brasília.

A visita foi acompanhada pela engenheira civil Lorrana Oliveira, da RVS Construções, que guiou a reportagem por cerca de 10 andares do prédio. O imóvel está abandonado há 13 anos e teve sua história marcada por disputas judiciais entre herdeiros, operações policiais e invasões de pessoas em situação de rua.

De quase todos os quartos ainda é possível ter uma vista privilegiada da Torre de TV, das fontes e do jardim de Burle Marx. De um deles, o Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios aparece com nitidez ao fundo.

Enquanto a reportagem percorria os andares do hotel por escadas estreitas, sem paredes e sem corrimão, o som que ecoava pelo prédio ia além do barulho das obras, que fragilizavam pilares próximos ao elevador. Ao fundo, permanecia o ruído constante da cidade seguindo sua rotina, alheia ao destino do gigante de concreto que se aproxima do fim.

Ao entrar nos quartos, o cenário é de completa desordem, apesar dos cômodos estarem conservados. O piso de madeira estufado pelo tempo contrasta com objetos espalhados, como pedras, vidros e pedaços de móveis.

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Funcionários perfuram pilares para fragiliza-los
Escadaria do Torre Palace não tem mais corrimão
Quartos acumulam destroços e móveis antigos
Pilares foram cobertos por telas de proteção para conter estilhaços
Quarto com fogão e armários antigos do hotel
Paredes do Torre Palace Hotel estão degradadas pelo tempo
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Paredes do Torre Palace Hotel estão degradadas pelo tempo

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Funcionários perfuram pilares para fragiliza-los
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Funcionários perfuram pilares para fragiliza-los

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Escadaria do Torre Palace não tem mais corrimão
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Escadaria do Torre Palace não tem mais corrimão

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Quartos acumulam destroços e móveis antigos
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Quartos acumulam destroços e móveis antigos

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Pilares foram cobertos por telas de proteção para conter estilhaços
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Pilares foram cobertos por telas de proteção para conter estilhaços

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Quarto com fogão e armários antigos do hotel
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Quarto com fogão e armários antigos do hotel

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Colchão abandonado em quarto do hotel
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Colchão abandonado em quarto do hotel

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Nos quartos ainda há colchões, camas e roupas de pessoas que ocuparam o espaço
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Nos quartos ainda há colchões, camas e roupas de pessoas que ocuparam o espaço

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De quase todos os quartos ainda é possível ter uma vista privilegiada do Setor Hoteleiro Sul
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De quase todos os quartos ainda é possível ter uma vista privilegiada do Setor Hoteleiro Sul

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O cheiro forte de mofo, vindo principalmente dos armários e revestimentos antigos, toma conta do ambiente. Em um dos cômodos, uma cadeira de praia próxima a varanda, mostra que o local era utilizado para contemplar a vista.

O ambiente que já recebeu personalidades do esporte, da música e da televisão agora guarda marcas do passado turbulento.

Entre pichações e frases rabiscadas, é possível ler mensagens como: “É melhor perder com a verdade do que vencer com a mentira”, “MRP Sempre” e “Sejam bem-vindos”, escritas sobre camadas de tinta descascada.


Hotel icônico

  • Fechado desde 2013, o Torre Palace foi idealizado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj. Com 14 andares, 140 apartamentos e vista privilegiada para o Eixo Monumental, o hotel hospedou autoridades, diplomatas e empresários durante décadas;
  • Após a morte do fundador, o prédio entrou em decadência, encerrou as atividades e passou a sofrer invasões e depredações, tornando-se ponto de insegurança e deterioração urbana;
  • O Torre Palace Hotel, localizado no Setor Hoteleiro Norte, foi um dos principais destinos de luxo de Brasília e hospedou diversas figuras conhecidas do cenário nacional e internacional;
  • Pouco tempo após a inauguração, o hotel recebeu personalidades do esporte, da música e da televisão. Em outubro de 1973, hospedaram-se no local três jogadores do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira: Carlos Alberto Torres, capitão da equipe; Zé Maria; e Rivellino;
  • No mês seguinte, passaram pelo Torre Palace o grupo Os Diagonais e os cantores Jair Rodrigues e José Cipriano.

Nos corredores, portas destruídas, ferragens retorcidas, caixas com roupas, casacos, garrafas e outros objetos revelam que o local serviu de abrigo improvisado por anos. Gavetas espalhadas, fogões, camas com colchões, travesseiros, sapatos jogados no chão e até marmitas reforçam os indícios de moradia.

Brinquedos e roupas infantis também foram encontrados, assim como destroços de portas que estavam rabiscadas com números de identificação, indicando quartos de famílias que ocupavam o espaço.

Nos banheiros, o abandono é ainda mais evidente: espelhos quebrados, vasos sanitários tombados e estruturas danificadas contrastam com o que um dia foi sinônimo de luxo.

Um carpete original da época da inauguração ainda resiste em alguns pontos, embora grande parte do tecido esteja rasgado e partes do carpete estejam espalhadas por diferentes andares.

Entre os escombros, restam pedaços de móveis, cintos, roupas, luvas, medicamentos, desodorantes, caixas térmicas, escrivaninhas e revista, fragmentos de famílias e usuários de drogas que ocuparam o hotel por vários anos.

Megaoperação

A operação de implosão do Torre Palace terá início nas primeiras horas de domingo (25/1), com a chegada e o posicionamento das equipes às 6h e a instalação do Posto de Comando. A sequência operacional prevê acionamento de sirenes, avisos por megafone e sobrevoo de helicóptero e drones a partir das 9h.

Serão emitidos três alertas sonoros escalonados, por uma viatura do CBMDF, às 9h57, 9h58 e 10h, com início da detonação logo após o último alerta. A liberação gradual e controlada do perímetro, se forem confirmadas questões de segurança, terá início a partir das 10h30. O encerramento da operação está previsto para às 18h.

Segundo dados da empresa responsável pelo processo, serão utilizados 165,56 kg de explosivos do tipo Ibegel SSP.

Além disso, foram realizados 938 furos estruturais. O material estará instalado nos pavimentos térreo, 1º, 2º, 3º e 7º, totalizando 600,78 metros perfurados nos pilares. O colapso foi projetado com leve inclinação para o Leste, reduzindo a dispersão de resíduos em direção ao Eixo Monumental.

“A gente não quer que ele caia totalmente no eixo para não comprometer totalmente a via, não obstruir totalmente a via. Então se ele cair na lateral, deixar algumas duas faixas livres, a gente já libera o trânsito naquelas duas faixas. Enquanto isso, a gente vem limpando o entulho e jogando o material pra dentro”, disse Lorrana.

A operação poderá ser interrompida ou adiada apenas pelo blaster ou pelo subsecretário da Defesa Civil, com protocolo de rádio específico, a partir de critérios como condições meteorológicas adversas, falha de comunicação entre equipes, presença de pessoas nas proximidades, ou falha técnica.

Após a implosão, será realizada avaliação estrutural imediata do local e das edificações do entorno, controle de poeira, limpeza das vias e liberação gradual conforme parecer técnico.

A remoção de entulho seguirá planejamento da empresa responsável, sempre condicionada às condições de segurança e autorização formal.

Sem movimentações

Nas edificações inseridas nas zonas definidas como quente e fria — nos raios entre 100 e 300 metros do Torre Palace — a orientação é que a população permaneça dentro dos estabelecimentos a partir das 8h, até a liberação formal pela Defesa Civil.

“Não será permitida a movimentação de pessoas a partir desse horário, até que seja liberada a circulação, após finalização da operação e inspeção do local por técnicos”, ressalta o subsecretário da Defesa Civil, Sandro Gomes.

Para reforçar a segurança, haverá sobrevoo de helicóptero 30 minutos antes da detonação e uso de três drones da Defesa Civil em pontos estratégicos, garantindo verificação aérea final da área impactada.

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