À espera da vacina: por idade, veja quantos idosos estão na fila no DF

Ao todo, o DF tem 346,2 mil pessoas com idades de 60 a 80 anos ou mais. É preciso imunizá-las para avançar à fase seguinte

atualizado 26/02/2021 12:08

Vacinação de idosos contra a Covid-19Gustavo Moreno/Especial Metrópoles

No mesmo dia em que o Brasil completa um ano do primeiro caso de coronavírus identificado no país, a vacinação contra a doença ainda caminha a passos lentos, sem conseguir cumprir cronogramas e com a imunização para os grupos prioritários restrita a uma pequena parcela dos cidadãos mais vulneráveis.

Com cerca de 3 milhões de habitantes, o Distrito Federal tem hoje 346,2 mil idosos acima de 60 anos de idade – 11,3% da população local. Apenas os com 79 anos ou mais começaram a ser imunizados. Eles representam 48.525 indivíduos na capital. Ou seja, até o momento, quando se fala em pessoas desse público, somente 1,6% teve a oportunidade de receber a proteção contra a Covid-19.

Nesta sexta-feira (26/2), a campanha de imunização contra o novo coronavírus no DF será ampliada para a população de 76 a 78 anos – isto é, 29.231 pessoas serão contempladas, segundo dados da Companhia de Desenvolvimento do DF (Codeplan). Desse modo, essa leva passa a fazer parte do quantitativo de 303,8 mil idosos que ainda precisam ser vacinados com a 1ª e a 2ª doses antes de outros grupos.

Ampliação gradativa

Após receber 25,5 mil doses da AstraZeneca, no dia 24 de fevereiro, o Governo do Distrito Federal conseguiu ampliar a campanha de vacinação contra a Covid-19, mas não da maneira que planejava. A intenção do Executivo distrital era incluir pessoas de 75 até 79 anos. Porém, a conta não fecha. O DF tem hoje 9.363 idosos com 75 anos, e a quantidade de proteção recebida só contempla aqueles que têm entre 76 e 78 anos.

Com a expectativa de receber mais 11 mil doses da Coronavac em março, o DF espera começar a imunização de pessoas com 75 anos. No entanto, a 2ª dose para esse grupo só será possível se o governo federal disponibilizar outra remessa para o Distrito Federal.

Na quinta-feira (25/2), o governador Ibaneis Rocha (MDB) voltou a afirmar que o GDF não pretende comprar vacinas contra a Covid-19. “Confio no Plano de Imunização Nacional e acho um erro a gente começar a entrar nesta guerra”, disse, durante agenda em Santa Maria. Pontuou ainda que espera receber as 11 mil doses da Coronavac até março.

Fases

O GDF embasa todas as suas ações de vacinação em um plano que leva em conta os dados populacionais da Codeplan por idade, aos quais o Metrópoles teve acesso (veja arte abaixo).

Para concluir a primeira fase de imunização, que inclui trabalhadores da Saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade e pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas), entre outras, o DF precisaria ao menos fechar o ciclo de vacinação do grupo de moradores que têm entre 75 e 80 anos, ou mais. Isso significa um total de 80.950 idosos.

Somente após concluir essa etapa, a segunda fase poderá ser iniciada, contemplando a parcela populacional de 60 a 74 anos.

Veja os dados populacionais por grupos etários e idades:

Quando avaliado o total de pessoas com idade entre 60 e 64 anos no DF, o número chega a 116,3 mil. Levando em consideração que são necessárias duas doses das vacinas usadas na capital para que o ciclo de imunização contra a Covid-19 seja efetivado, será preciso, somente para essa faixa etária, um montante de 232,6 mil doses para a conclusão da segunda fase de prioridades.

Após essa etapa, o plano prevê a imunização de pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da Covid-19. É o caso de indivíduos com diabetes mellitus; hipertensão arterial grave; doença pulmonar obstrutiva crônica; renal; cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; além daqueles com anemia falciforme, câncer e obesidade grave (IMC≥40).

A quarta fase de vacinação inclui profissionais de segurança e professores. Os docentes voltam a ministrar aulas na rede pública de ensino do DF em 8 de março, mas apenas de forma remota.

Suspensão

Antes da chegada das 25,5 mil doses da AstraZeneca, nesta semana, a campanha de vacinação na capital federal chegou a ser paralisada em diversos postos. Na terça-feira (23/2), a Superintendência da Região Central da Secretaria de Saúde informou que a aplicação da primeira dose do imunizante contra a Covid-19 estava suspensa no DF em algumas unidades.

Após a entrega do novo lote, foi anunciada a vacinação de idosos de 76 a 78 anos. Essa parte da programação no Distrito Federal agora será feita exclusivamente mediante agendamento, pelo site vacina.saude.df.gov.br. A plataforma digital para a marcação da primeira dose está disponível para esse grupo.

A vacinação ocorrerá em 42 pontos, sendo 13 por drive-thru. A lista e os horários de funcionamento das unidades que realizam a imunização contra a Covid-19 estão disponíveis aqui.

Questionada sobre as idades, os grupos e as doses de vacina para o DF, a Secretaria de Saúde não respondeu pontualmente às questões e indicou o seguinte link à reportagem: http://www.saude.df.gov.br/gdf-inclui-nova-fase-no-plano-de-vacinacao-contra-a-covid-19/.

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Vacinação

Até o momento, segundo dados do site oficial da pasta, o DF recebeu 173.560 doses da Coronavac e 66,5 mil da Covishield. Ao todo, foram 240.060 doses. Do grupo prioritário, que inclui profissionais de saúde, entre outros, além dos idosos de 79 anos ou mais, já foram vacinadas, até a última quinta-feira (25/2), 119.747 pessoas.

Dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, atualizados em 19 de fevereiro, apontam que 60.514 trabalhadores da saúde foram vacinados. Dos demais públicos imunizados, os idosos com idade igual ou superior a 80 anos vêm em seguida, com 47.063 indivíduos. O DF já vacinou mais de 54 mil idosos: os que estão em situação de risco, abrigos e instituições de longa permanência, na faixa dos 60 aos 75 anos, já foram imunizados.

A Coronavac é produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. A Covishield é desenvolvida pela universidade inglesa de Oxford, com a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca. Cerca de 5% das doses recebidas são reservadas para repor eventuais perdas.

A Coronavac tem intervalo de aplicação entre as doses de 14 a 28 dias. Devido a isso, metade do quantitativo recebido é reservado para a segunda aplicação. Já com a vacina de Oxford, esse intervalo é de até 90 dias. Por causa desse tempo, o Ministério da Saúde recomendou que todas as doses dessa marca fossem utilizadas.

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