Covid-19: Papuda e testes rápidos fazem taxa de crescimento no DF disparar

Média no aumento de casos, nos três dias correntes, passou de 2,3% em 25 de abril para 7,1% em 2 de maio

atualizado 04/05/2020 23:29

O surgimento de novos casos de coronavírus no Distrito Federal acelerou no fim de abril. O movimento coincide com o início da ampliação de testagens no Distrito Federal e o aumento de casos na Papuda. O acréscimo sugere que, pelo menos em parte, o número de diagnósticos está chegando mais perto do valor real de infectados, diminuindo a subnotificação.

Para chegar às informações, o (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, calculou a porcentagem de aumento nos novos diagnósticos da Covid-19 em cada unidade da Federação. A partir daí, foi feita uma média da evolução da doença nos últimos três dias até aquela data. Essa média diminui o efeito de distorções nas notificações de casos que acontecem em fins de semana e feriados, por exemplo.

A testagem rápida foi implementada no Distrito Federal em 21 de abril. Nos 10 primeiros dias da campanha, 204 pessoas foram diagnosticadas com o coronavírus a partir dos exames aplicados no drive-thru. O Ministério da Saúde registrou 475 novos infectados no Distrito Federal no período. Assim, 43% dos casos contabilizados naquela semana foram descobertos na testagem em massa.

Não fossem os 204 diagnósticos positivos descobertos a partir dos exames feitos no drive-thru, o DF teria 1.152 casos confirmados em 30 de abril em vez dos 1.356 efetivamente reportados. Isso faria com que o crescimento entre 21 e 30 de abril tivesse sido de 30,8% e não de 53,9%, como, de fato, foi registrado.

Se o aumento no número de novos infectados fosse uniforme no mesmo período e desconsiderássemos os exames rápidos, a média diária de crescimento seria de 2,76% em 30 de abril. Mas, na realidade, ela foi de 5,77%. Assim, é possível inferir: a testagem em massa foi a principal responsável pelo valor de novos casos acima do normal, seguida dos registros positivos feitos na Papuda.

A média no surgimento de novos contaminados no Distrito Federal atingiu seu ponto mais baixo em 25 de abril: 2,3%. O DF contava com 1.013 casos confirmados de coronavírus. Naquela data, era a UF com a menor taxa média nos últimos três dias. Pouco antes, baseado no baixo crescimento, o governo do DF estabeleceu que grande parte do comércio reabriria em maio.

Desde então, a média no surgimento de novos casos só cresceu, chegando ao pico de 7,1% em 2 de maio, caindo levemente para 6,7% no dia seguinte e 6,4% ontem. Diante disso, o governo postergou a data para que os estabelecimentos comerciais do Distrito Federal voltem a operar.

Veja a média de crescimento dos infectados no DF desde o início de abril:

A média de 2 de maio colocou o DF como a 16ª UF em termos de aceleração no crescimento de novos casos, ficando na frente de estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Na data, a capital federal registrou 1.566 infecções por coronavírus. A média de crescimento no número de mortos passou de 1,33%, em 25 de abril, para 3,49%, em 2 de maio, e 3,26%, no domingo (03/05). Nesse quesito, apenas cinco estados têm uma média menor que a do Distrito Federal. Ao todo, o DF contabiliza 33 mortos por coronavírus.

Segundo a Secretaria de Saúde, dois fatores estão relacionados a essa mudança: a inserção de casos detectados por teste rápido na semana passada, que, até então, não estavam computados na base de dados da SES; e o aumento do número de casos na Papuda, que responde por 1/4 do incremento ocorrido na última semana (além dos casos em agentes prisionais do mesmo complexo).

Veja como o coronavírus ataca o corpo:

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Com a palavra, o especialista

Para André Bon, infectologista do Hospital Brasília, a tendência é que a curva continue em crescimento. “A partir do momento em que a gente conseguir testar todas as pessoas que são sintomáticas, independentemente de haver necessidade ou não de internação, vamos ter um aumento do número registrados de casos.”

Bon não descarta que o crescimento tenha relação com maior disseminação do vírus pela capital. “É bem provável que o número mais alto esteja relacionado à testagem ampla. Mas a gente não pode desconsiderar que parte desse boom possa estar relacionado a um aumento verdadeiro do número de casos”, finalizou.

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