Novos negocios, novo normal

Da feira ao delivery: como uma produtora rural gerou empregos na pandemia

As feiras de fim de semana eram a principal fonte de renda da Vovó Neli Orgânicos até a pandemia: reinvenção junto aos clientes

atualizado 06/08/2020 18:16

A produtora rural Neli Christ se viu diante de um grande problema quando o Governo do Distrito Federal precisou publicar um decreto fechando as feiras para tentar conter o avanço do novo coronavírus, em meados de março deste ano. Aos 67 anos, ela sabia que não deveria voltar a trabalhar presencialmente na loja que administrava tão cedo. Pertencente ao grupo de risco da Covid-19, a gaúcha precisava lidar ainda com uma série de preocupações comuns aos empreendedores naquele momento, como a situação dos funcionários de sua empresa, qual seria o destino de toda a produção de produtos e, é claro, como iria pagar as próprias contas.

“Logo depois do decreto, fiquei pensando: ‘Meu Deus do céu, como vou pagar meus empregados? Vou perder a produção da minha horta’. Mas, os clientes logo telefonaram, dizendo que precisavam comer. O povo começou a pedir, fechamos mais de 100 cestas para entrega na primeira semana. Trabalhamos como condenados, mas conseguimos enviar toda a produção”, lembra a proprietária da Vovó Neli Orgânicos.

As vendas da feira representavam a principal fonte de renda da família. A filha, Sandra, decidiu, então, colocar em prática um plano que as duas tinham havia algum tempo: criar um serviço de delivery de orgânicos na região do Lago Oeste, onde se localiza a chácara da família. “Ela sempre quis começar esse projeto. Tínhamos até comprado um furgão, mas ela nunca achava o dia para começar a fazer. Veio a pandemia, ela enfrentou e agora está levando”, conta Neli.

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Empreendendo no Novo Normal. Produção de orgânicos na chácara Vovó Neli, Lago Oeste, com venda de hortifruti para o consumidor final
Neli Christ: a produtora rural conseguiu manter os clientes da feira e ganhou novos, interessados em consumir produtos orgânicos

Além de manter os funcionários da Vovó Neli Orgânicos, escoar a produção da chácara e complementar a própria renda, Sandra e Neli geraram emprego: contrataram quatro entregadores para atender os clientes. O delivery é feito às terças e sábados, quando o cliente escolhe o que quer de uma lista de produtos que estão disponíveis naquela semana. A família chegou a entregar 300 cestas em sete dias, mas geralmente a produção fica entre 110 e 120 cestas.

“A Sandra disse que a lista viralizou, que ela colocou nas rede sociais e a coisa se espalhou no Distrito Federal. Apareceu cliente do Lago Sul, Lago Norte, Asa Sul, Asa Norte, Noroeste… As pessoas foram obrigadas as cozinhar em casa e agora pegaram gosto”, comenta Neli. Hoje, a agricultora tem não só os clientes habituais da feira, mas fornece para quem não a conhecia antes da pandemia.

Uma mão lava a outra

Mãe e filha aproveitaram a estrutura montada em família para ajudar a escoar a produção de agricultores vizinhos. “A cada semana, minha filha lança uma lista com o que foi produzido e inclui itens que não consigo plantar aqui, como batata doce e mandioca. Então, ela pega esses produtos extras com outros produtores da região e acabamos ajudando quem não tinha como fazer o delivery. Ela entra em contato, disponibiliza o serviço e inclui os produtos deles na lista dos clientes”, comenta a agricultora.

Por enquanto, Sandra está usando a logomarca dos orgânicos da mãe, mas a ideia é criar uma empresa própria. “A divulgação está só no WhatsApp, mas ela pretende partir para o Instagram também. Precisamos de alguém que entenda dessas coisas para nos ajudar com planejamento, logomarca… Ela está se tornando uma pequena empresa, tem que ter o negócio próprio. Eu vou ser só mais uma fornecedora dos produtos que ela vai entregar”, planeja Neli.

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Neli e o marido, Édio, estão em casa desde a chegada da pandemia a Brasília e vão comemorar as bodas de 45 anos de casados em isolamento social. “A feira reabriu, mas eu não vou. Sinto falta da feira, mas entendo que não posso me expor. Continuo em contato com as mesmas pessoas, tanto quem entrega como quem compra. Sigo com meus clientes. Até sair a vacina, pelo menos, vamos continuar operando só com o delivery. Quem está mexendo com isso não vai parar, é uma tendência que só vai crescer”, avalia.

Como melhorar as fotos de seus produtos

Você compraria um produto sem ver fotos dele antes? Ou com fotos tremidas e escuras? Essas duas perguntas simples demonstram uma atitude que um empreendedor deve ter diariamente: colocar-se no lugar do consumidor.

Boas imagens são fundamentais para o processo de compra. Além de bem-feita, a apresentação do produto deve reproduzir com fidelidade as características do item e valorizá-lo. Mas, calma. Não é preciso gastar uma fortuna com produção. Segundo Talita Scotto, diretora da Agência Contatto, especialista em fotografia para e-commerces, é possível usar o próprio celular.

Para começar, é fundamental acessar as configurações da câmera e ajustar a resolução para ter um resultado com qualidade superior. “Caso o e-commerce ofereça a opção de zoom na imagem, o ideal é que a foto esteja com boa qualidade, sem estar pixelada. Pode deixar com o HDR ativado, por exemplo. Já para vídeos, há smartphones que gravam até em 4K”, explica.

Caso você não disponha de iluminação profissional, pode utilizar a luz do dia, evitando sombras. “Hoje existem no mercado mini estúdios para fazer imagens com fundo branco ou em outras cores. Dependendo do modelo de negócio, pode ser um bom investimento”, diz.

A escolha do fundo também gera dúvida. A recomendação de Talita é optar por uma cor neutra, caso o empreendedor não se sinta seguro para criar uma composição, ou optar por um cenário natural, por exemplo. “É importante evitar fundos idênticos ao do produto. Exemplo: camiseta vermelha, fundo vermelho. Além disso, informações que possam prejudicar a foto como bagunça, sujeira, etiquetas e preços devem ser retiradas”.

Para editar o material, o smartphone também pode ser utilizado. A diretora recomenda o uso do serviço on-line Canva, disponível na web e em aplicativo, para fazer montagens e criar artes, como banners e cards para as redes sociais. “Entre os apps também temos o Adobe LightRoom, Photoshop Express, além do próprio Instagram que traz diversos efeitos. Tudo vai depender da característica da marca, do que ela tem por objetivo, do público-alvo, etc.”, complementa.

Confira outras dicas da especialista:

  • Faça fotos de diversos ângulos do produto, como se fosse um 360º dele.

  • Registre os detalhes caso a peça tenha algo a ser destacado, como um tecido especial, uma textura diferente ou algum aspecto relevante.

  • Prefira fazer fotos claras, bem iluminadas.

  • Fotos contextualizadas são ótimas para encher os olhos dos clientes. Por exemplo, se você vende quadros, uma boa dica é fotografá-lo em uma composição decorativa.