atualizado
Para quem convive com a Doença Renal Crônica (DRC), o tempo se mede em sessões. Três vezes por semana, por pelo menos quatro horas, pacientes precisam se conectar a uma máquina para substituir a função dos rins. No Maranhão, por muito tempo, esse tratamento vinha acompanhado de outro desafio silencioso: o deslocamento. Viagens longas, cansativas e, muitas vezes, dolorosas.
É esse cenário que está mudando a expansão da rede pública de hemodiálise no estado. Na prática, o impacto vai além da dimensão clínica. O tratamento contínuo interfere na capacidade de trabalhar, na convivência familiar e até na saúde mental. Reduzir horas de deslocamento é também reduzir o desgaste acumulado ao longo de anos.
Neste contexto, a política de expansão da rede reorganiza a assistência, proporcionando proximidade, dignidade e continuidade, respondendo também a uma demanda crescente por cuidados especializados.
Na etapa mais recente da expansão, o governo do Maranhão entregou à população, no fim de março, o novo Centro de Hemodiálise Cláudio José de Sousa Leite Santos, em Paço do Lumiar, na Grande Ilha de São Luís. Com 40 cadeiras e capacidade instalada para atender cerca de 240 pacientes, o novo centro também atende moradores de municípios próximos, como São José de Ribamar e Raposa.
“Recebemos 279 cadeiras de hemodiálise distribuídas pelo estado, e em breve vamos chegar a 600. Há pessoas que precisam fazer até três sessões por semana – segunda, quarta e sexta – e ainda tinham que passar pelo sofrimento de se deslocarem de seus municípios até o centro mais próximo. Por isso, estamos investindo nesta expansão, diminuindo a distância, deixando as máquinas de hemodiálise mais próximas da população”, destacou o governador Carlos Brandão, na cerimônia de inauguração do Centro de Hemodiálise.
Ver essa foto no Instagram
Reorganização da assistência
Hoje, a rede já conta com unidades em funcionamento em cidades como São Luís, Pinheiro, Balsas, Caxias e Chapadinha, muitas delas com ampliação de vagas e abertura de novos turnos. Em paralelo, novos serviços vêm sendo implantados em municípios estratégicos, como Barreirinhas, Santa Inês, Buriticupu e Santa Luzia do Paruá.
Atualmente, já são 459 máquinas em funcionamento, responsáveis pelo atendimento de 3.047 pacientes. Além disso, com as ampliações em andamento, a rede deve alcançar cerca de 600 máquinas até o final de 2026, com capacidade para atender mais de 3.800 pacientes.
Outro destaque é a implantação e fortalecimento dos ambulatórios pré-dialíticos, fundamentais para o acompanhamento dos pacientes com doença renal crônica antes da necessidade de hemodiálise.
Nesses espaços, os pacientes são monitorados continuamente por equipes especializadas, com o objetivo de retardar a progressão da doença e evitar a evolução para estágios mais graves.
150 mil brasileiros em diálise no país
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o Brasil tem mais de 150 mil pessoas em diálise, sendo a maioria dependente do sistema público de saúde.
A DRC é considerada um problema de saúde pública global e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), está entre as principais causas de mortalidade no mundo, com tendência de crescimento nas próximas décadas.
A prevenção continua sendo a principal aliada no combate às doenças renais. Exames simples, como dosagem de creatinina, exame de urina e aferição da pressão arterial, são essenciais para identificar precocemente alterações na função dos rins. Por isso, o acompanhamento regular na atenção básica é fundamental.
Mesmo sendo um desafio histórico da nefrologia, o Maranhão tem avançado ao estruturar uma rede que permite acompanhar pacientes previamente e iniciar o tratamento de forma programada, por meio da regulação estadual.
Esse modelo possibilita que muitos pacientes já cheguem ao momento da hemodiálise com acompanhamento especializado, reduzindo riscos e melhorando a qualidade de vida. Os investimentos na rede também reforçam o direito do paciente à escolha do serviço e ao cuidado contínuo, garantindo que o tratamento renal seja realizado com mais segurança, proximidade e dignidade.
Com a nova unidade de Paço do Lumiar e outros serviços em expansão, o estado avança na construção de uma rede que acompanha a vida real dos pacientes — com menos deslocamento, mais acesso e uma presença mais efetiva do sistema de saúde onde ele é mais necessário.





