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Vinicius Passarelli

"Tensão" e "medo": União vive clima de caos após prisão de Milton Leite

Membros do União-SP dizem que há um esforço dos filhos de Leite em manter o comando da legenda, mas classificam cenário como "caótico"

02/10/2026 08:00
Richard Lourenço/Rede Câmara
Foto colorida do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite - Metrópoles

O União Brasil de São Paulo tem vivido internamente dias de caos após a prisão do ex-vereador Milton Leite, principal liderança do partido no estado. Segundo relatos de políticos e assessores do partido, a ausência do dirigente ao longo das duas semanas que antecedem o primeiro turno da eleição gerou uma desorganização no comando da legenda, apesar dos esforços dos filhos de Leite para manterem as rédeas do partido.

“Está todo mundo perdido. Ela era um grande líder, por mais que o Alexandre e o Miltinho estejam tocando brilhantemente o partido, demora um tempo até cair a ficha do pessoal do administrativo, financeiro e jurídico”, disse um parlamentar.

Um político próximo a Milton Leite classificou a situação do partido como “caótica” e afirmou que a impressão é que cada candidato está tentando tocar sua campanha de algum jeito, sem grandes direcionamentos da legenda. “Está cada um recolhido. Tentando cuidar do seu curral. Sinceramente, não sei quem está no comando”, disse outra fonte do partido.

Formalmente, o deputado federal Alexandre Leite é o presidente estadual do União. Milton Leite é o tesoureiro, mas segundo correligionários é quem comanda de fato no diretório paulista. A coluna tentou falar com Alexandre Leite, mas não obteve retorno. Sua assessoria disse que os trabalhos “seguem normalmente quanto ao cumprimento do planejado pelo partido”.

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Outra avaliação ouvida pela coluna é de que existe uma preocupação em boa parte dos candidatos com uma possível queda no número de votos de Alexandre Leite, que é deputado federal e nesta eleição concorre a deputado estadual, e de Milton Leite Filho, que inverteu com o irmão: quer sair da Alesp para a Câmara dos Deputados.

Esse temor se dá principalmente elo fato de os dois filhos do ex-vereador serem considerados puxadores de voto dentro das chapas.

Entre os aliados do ex-presidente da Câmara Municipal, existe uma expectativa de que um habeas corpus seja julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) e que Milton Leite seja solto ainda antes da eleição deste domingo (4/9). A coluna tentou contato com o advogado do ex-vereador, mas não obteve retorno.

Prisão

O político se entregou à polícia em no dia 18 deste mês, na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes. Ele passou mais de 24 horas considerado foragido. A prisão temporária foi decretada no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação apura possível infiltração do crime organizado no sistema de transportes da capital paulista.

Nos autos, constam diálogos de supostos membros do PCC mencionando o nome de Milton Leite em tratativas para que uma empresa assumisse uma das linhas de ônibus da cidade. O político nega que tenha relação com os fatos e diz que irá provar sua inocência.

No dia 23, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus feito pela defesa de Milton Leite. Os advogados pediram a revogação da prisão por nulidade processual e ausência de justa causa, argumentando que a medida restritiva foi imposta de forma indevida.

De acordo com a defesa, Leite não participa diretamente dos diálogos mencionados na investigação, tampouco consta entre os contatos de José Daniel Satilite, apontado como operador e laranja do PCC.