
Tácio LorranColunas

Veja o pódio de gastos de tribunais de contas com olimpíadas de servidores
Ao menos nove tribunais de contas desembolsaram R$ 1,4 milhão para custear a presença de servidores em torneio esportivo em Foz do Iguaçu
atualizado
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Quando o quesito é o gasto dos tribunais de contas para custear despesas de servidores e conselheiros nas olimpíadas esportivas da categoria em Foz do Iguaçu (PR), a classificação geral do torneio muda de patamar. Ao menos nove cortes de contas desembolsaram R$ 1,4 milhão para custear a presença de servidores no evento, conforme revelou a coluna nessa sexta-feira (5/9).
O montante foi gasto com inscrições, hospedagens, diárias e até uniformes, fisioterapia e assessorias esportivas dos atletas. O valor pode ser ainda maior, uma vez que nem todas as Cortes divulgaram despesas atualizadas em seus portais da transparência.
Nesse sentido, lideram o pódio os tribunais de contas dos estados do Amazonas (TCE-AM) e do Tocantins (TCE-TO), que desembolsaram, R$ 625.151,00 e R$ 309.400,00, respectivamente. A medalha de bronze, com R$ 230.640 em despesas, ficou por conta do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA).
Organizado pela Associação Nacional Olímpica dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (ANOSTC), o torneio contou com 1.716 atletas de 40 delegações do Brasil, da Argentina e do Uruguai. Desse total, 1.396 inscritos são de 25 tribunais de Contas brasileiros. Os jogos foram realizados entre os dias 25 e 30 de agosto, nos períodos da manhã, da tarde e da noite.
Embora um ou outro tribunal tenha alegado ser um “procedimento padrão” pagar as inscrições dos servidores para a competição, 10 tribunais afirmaram à coluna que não tiveram tal despesa e que o custo foi de inteira responsabilidade dos atletas.
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TCE-AM pagou até treinadores e fisioterapeutas de servidores em olimpíadas. Bicampeão neste ano das Olimpíadas dos Servidores dos Tribunais de Contas (OTC 2025), o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) conquistou também a medalha de ouro na modalidade “tamanho da despesa”. No total, o órgão desembolsou mais de R$ 625 mil com seus atletas.




Delegação do Tribunal de Contas do Amazonas para disputar a OTC 2025, que ocorreu em Foz do Iguaçu
Reprodução/Instagram
Time de vôlei feminino do TCE-AM parabeniza fisioterapeuta pelo trabalho durante torneio em Foz do Iguaçu (PR)
Reprodução/Instagram
Associação dos servidores do TCE-AM celebra nas redes sociais o fato de serem bicampeões em torneios da OTC
Reprodução/InstagramParte dessa despesa foi para custear uniformes, treinadores e até fisioterapeutas para os servidores que disputaram o torneio. Só com a inscrição da delegação de 130 servidores para o torneio foi R$ 442 mil. Nas redes sociais, a atlética do TCE-AM celebrou o fato de ser a maior delegação das olimpíadas.
Questionada sobre os gastos com as olimpíadas, a corte de contas do Amazonas afirmou que se trata de um procedimento padrão e que os demais custos “são assumidos pelos atletas”. “Assim como ocorre em todos os Tribunais de Contas que participam das Olimpíadas, o TCE-AM arca com as inscrições dos servidores nos jogos — um procedimento padrão e consolidado nessas competições”.
TCE-TO desembolsou mais de R$ 300 mil para as olimpíadas. O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) pagou R$ 297 mil na inscrição de 88 servidores. Além disso, desembolsou R$ 17,4 mil para custear quatro diárias e meia do presidente da Corte de Contas, Alberto Sevilha, do conselheiro Severiano José Costrandrade de Aguiar e de uma assessora especial. Pelo site da instituição, o TCE-TO celebrou o fato de a delegação tocantinense conquistar 17 medalhas no torneio e ficar no 9º lugar na classificação geral.

TCM-PA pagou hotel sobre águas termais para conselheiros. O Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) desembolsou R$ 230,6 mil para inscrever 72 atletas e três conselheiros nas olimpíadas. Os servidores ficaram hospedados no hotel Dom Pedro I Palace Hotel. Já as autoridades, que não disputaram a competição, ficaram no hotel Mabu Thermas Grand Resort, um resort localizado sobre a maior fonte de águas termais do planeta, o Aquífero Guarani, “onde as águas se renovam a cada 4 horas e afloram nas piscinas e praia do complexo”.
TCE-RO pagou inscrição de atletas visando ao “bem-estar”. O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) pagou a inscrição de 78 servidores na competição, ao custo de R$ 156 mil. Nesse caso, o valor não incluiu hospedagem, limitando-se apenas à participação dos atletas na disputa.
“A contratação em comento [78 inscrições na OTC 2025] tem por objeto a prestação de serviço de bem-estar que visa ao desenvolvimento profissional de servidores deste Tribunal de Contas, repercutindo na melhoria do serviço público e no fomento de boas práticas de gestão”, diz trecho do contrato do TCE-RO com a ANOSTC, ao justificar o pagamento das inscrições com dinheiro público.
TCE-PA e MPC formaram delegação. O Ministério Público de Contas do Estado do Pará (MPC) pagou R$ 38 mil para inscrever 10 participantes. Já o TCE-PA não retornou aos contatos da reportagem. Uma publicação no site da instituição informa que a delegação estadual foi composta por 54 atletas, sendo que 44 eram do TCE paraense.




Servidores do TCE-PA em competição de boliche
Reprodução/TCE-PA
Servidores do TCE-PA em quadra de areia para disputar beach tennis
Reprodução/TCE-PA
Servidores do TCE-PA sentados em uma mesa com baralho
Reprodução/TCE-PATCE-PE pagou diárias a título de capacitação. O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) desembolsou R$ 16.762,00 em diárias, a título de capacitação, para os servidores participarem de um seminário de controle externo e fiscalização que ocorreu na abertura das olimpíadas.
TCU não informou gastos de ministro em Foz do Iguaçu. O Tribunal de Contas da União (TCU) pagou R$ 9.404,19 em diárias e passagens para duas servidoras do órgão irem a Foz do Iguaçu, no Paraná, em junho deste ano e participarem dos preparativos da OTC 2025.
Já no evento de agosto, 72 servidores disputaram as olimpíadas. Segundo nota enviada à coluna pela principal corte de contas do país, a participação dos atletas foi “integralmente custeada pelos próprios servidores, que arcam com inscrição, hospedagem, transporte e demais despesas”. “O tribunal não concede diárias nem assume quaisquer custos relacionados ao evento”, prosseguiu.
O TCU não informou se a presença do ministro Augusto Nardes em Foz do Iguaçu foi bancada com dinheiro público. O portal de transparência do tribunal de contas está desatualizado.

TCE-MT custeou diárias para preparativos do torneio. O portal da transparência do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso (TCE-MT) mostra que, em junho, o órgão bancou seis diárias, no valor total de R$ 8,3 mil, para dois servidores viajarem para Foz do Iguaçu e participarem das tratativas da OTC 2025. Em nota, o órgão optou por “não se posicionar neste momento”.
TCE-AL custeou “adicional de locomoção”. No portal da transparência do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) consta despesas relativas a 3,5 diárias (R$ 3.535,85) e “adicional de locomoção” (R$ 657,80) de um servidor que viajou em junho para o Congresso Técnico relativo às Olimpíadas dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil OTC Mercosul Foz 2025. Procurado, o tribunal não se manifestou.

Servidores foram dispensados do ponto para disputarem jogos
Na ampla maioria dos tribunais, os servidores foram dispensados de bater ponto e não precisarão compensar as horas não trabalhadas. Isso aconteceu, por exemplo, com o Tribunal de Contas da União (TCU). A delegação da principal Corte de Contas do país contou com 72 servidores, que disputaram competições de beach tennis, tênis, boliche, basquete, futsal, vôlei, vôlei de praia, atletismo e pebolim. Eles garantiram o oitavo lugar no ranking do torneio.
1ª lugar TCE-AM pagou até treinadores e fisioterapeutas de servidores em olimpíadas
Bicampeão neste ano das Olimpíadas dos Servidores dos Tribunais de Contas (OTC 2025), o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) conquistou também a medalha de ouro na modalidade “tamanho da despesa”. No total, o órgão desembolsou mais de R$ 625 mil com seus atletas.
Parte dessa despesa foi para custear uniformes, treinadores e até fisioterapeutas para os servidores que disputaram o torneio. Só com a inscrição da delegação de 130 servidores para o torneio foi R$ 442 mil. Nas redes sociais, a atlética do TCE-AM celebrou o fato de ser a maior delegação das olimpíadas.
Questionada sobre os gastos com as olimpíadas, a corte de contas do Amazonas afirmou que se trata de um procedimento padrão e que os demais custos “são assumidos pelos atletas”. “Assim como ocorre em todos os Tribunais de Contas que participam das Olimpíadas, o TCE-AM arca com as inscrições dos servidores nos jogos — um procedimento padrão e consolidado nessas competições”.
2º lugar – TCE-TO desembolsou mais de R$ 300 mil para as olimpíadas
O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) pagou R$ 297 mil na inscrição de 88 servidores. Além disso, desembolsou R$ 17,4 mil para custear quatro diárias e meia do presidente da Corte de Contas, Alberto Sevilha, do conselheiro Severiano José Costrandrade de Aguiar e de uma assessora especial. Pelo site da instituição, o TCE-TO celebrou o fato de a delegação tocantinense conquistar 17 medalhas no torneio e ficar no 9º lugar na classificação geral.
3º lugar
TCM-PA pagou hotel sobre águas termais para conselheiros. O Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) desembolsou R$ 230,6 mil para inscrever 72 atletas e três conselheiros nas olimpíadas. Os servidores ficaram hospedados no hotel Dom Pedro I Palace Hotel. Já as autoridades, que não disputaram a competição, ficaram no hotel Mabu Thermas Grand Resort, um resort localizado sobre a maior fonte de águas termais do planeta, o Aquífero Guarani, “onde as águas se renovam a cada 4 horas e afloram nas piscinas e praia do complexo”.
4º lugar
TCE-RO pagou inscrição de atletas visando ao “bem-estar”. O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) pagou a inscrição de 78 servidores na competição, ao custo de R$ 156 mil. Nesse caso, o valor não incluiu hospedagem, limitando-se apenas à participação dos atletas na disputa.
“A contratação em comento [78 inscrições na OTC 2025] tem por objeto a prestação de serviço de bem-estar que visa ao desenvolvimento profissional de servidores deste Tribunal de Contas, repercutindo na melhoria do serviço público e no fomento de boas práticas de gestão”, diz trecho do contrato do TCE-RO com a ANOSTC, ao justificar o pagamento das inscrições com dinheiro público.
5º lugar
TCE-PA e MPC formaram delegação. O Ministério Público de Contas do Estado do Pará (MPC) pagou R$ 38 mil para inscrever 10 participantes. Já o TCE-PA não retornou aos contatos da reportagem. Uma publicação no site da instituição informa que a delegação estadual foi composta por 54 atletas, sendo que 44 eram do TCE paraense.
6º lugar
TCE-PE pagou diárias a título de capacitação. O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) desembolsou R$ 16.762,00 em diárias, a título de capacitação, para os servidores participarem de um seminário de controle externo e fiscalização que ocorreu na abertura das olimpíadas.
7º lugar
TCU não informou gastos de ministro em Foz do Iguaçu. O Tribunal de Contas da União (TCU) pagou R$ 9.404,19 em diárias e passagens para duas servidoras do órgão irem a Foz do Iguaçu, no Paraná, em junho deste ano e participarem dos preparativos da OTC 2025.
Já no evento de agosto, 72 servidores disputaram as olimpíadas. Segundo nota enviada à coluna pela principal corte de contas do país, a participação dos atletas foi “integralmente custeada pelos próprios servidores, que arcam com inscrição, hospedagem, transporte e demais despesas”. “O tribunal não concede diárias nem assume quaisquer custos relacionados ao evento”, prosseguiu.
O TCU não informou se a presença do ministro Augusto Nardes em Foz do Iguaçu foi bancada com dinheiro público. O portal de transparência do tribunal de contas está desatualizado.
8º lugar
TCE-MT custeou diárias para preparativos do torneio. O portal da transparência do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso (TCE-MT) mostra que, em junho, o órgão bancou seis diárias, no valor total de R$ 8,3 mil, para dois servidores viajarem para Foz do Iguaçu e participarem das tratativas da OTC 2025. Em nota, o órgão optou por “não se posicionar neste momento”.
9º lugar
TCE-AL custeou “adicional de locomoção”. No portal da transparência do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) consta despesas relativas a 3,5 diárias (R$ 3.535,85) e “adicional de locomoção” (R$ 657,80) de um servidor que viajou em junho para o Congresso Técnico relativo às Olimpíadas dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil OTC Mercosul Foz 2025. Procurado, o tribunal não se manifestou.
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