Tácio Lorran

Quem é o deputado do PL que emprega a própria sogra na Câmara

Um dos deputados mais “faltosos” da Câmara, Júnior Lourenço nomeou a sogra em maio de 2022. Caso configura nepotismo

atualizado

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Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Junior Lourenço
1 de 1 Junior Lourenço - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Deputado federal reeleito, filiado ao partido de Jair Bolsonaro, ex-prefeito de Miranda do Norte, no Maranhão, e graduado em ciências contábeis: esse é Júnior Lourenço (PL-MA), de 46 anos, parlamentar que emprega a própria sogra no gabinete na Câmara dos Deputados. Maria Jackeline Jesus Gonçalves Trovão, 61, é secretária parlamentar dele desde 10 de maio de 2022 – situação que configura nepotismo, conforme revelou a coluna.

Júnior Lourenço é também um dos deputados mais ausentes da Câmara dos Deputados. O perfil dele é considerado como moderado, uma vez que não só apoiou a candidatura de Flávio Dino, atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao Senado, quanto por ter sido o único integrante do PL a votar pelo arquivamento de processo contra o deputado federal André Janones (Avante-MG) no caso da rachadinha no Conselho de Ética da Casa, em 2024. O posicionamento gerou fortes críticas.

Júnior Lourenço é casado com a enfermeira e nutricionista Carolina Trovão Bonfim há 5 anos, ou seja, já era genro de Maria Jackeline quando a nomeou para o cargo na Câmara. O salário inicial partiu de R$ 1.328,41, mais auxílios. A funcionária foi promovida em dezembro de 2023 e recebe R$ 1.764,93, além de benefícios, desde então.

Carolina Bonfim e a mãe, Maria Jacqueline Trovão
Carolina Bonfim e a mãe, Maria Jacqueline Trovão

Com isso, os rendimentos de Maria Jackeline Trovão superam R$ 3,2 mil por mês. A Câmara desembolsou mais de R$ 120 mil em salários nos últimos 3 anos para a sogra do parlamentar.

À coluna, o deputado federal confirmou, sem demonstrar qualquer constrangimento, que emprega a própria sogra. “Ela trabalha comigo no Maranhão… no gabinete lá”. Questionado sobre quais eram as atribuições da mãe da esposa dele, limitou-se a responder que “ela é secretária”, sem dar mais detalhes e encerrando a conversa.

A prática de nepotismo é vedada pela Constituição Federal de 1988 por ferir os princípios da moralidade, impessoalidade, eficiência e isonomia. Segundo especialistas, o caso pode levar Júnior Lourenço a responder por improbidade administrativa e consequentemente, ter que ressarcir o valor pago pela Câmara à sogra, pagar multa e até mesmo ter os direitos políticos suspensos.

Uma súmula publicada pelo STF em 2008 reforçou a proibição de nomeação de “cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau da autoridade nomeante” para cargos comissionados, como é o caso de Maria Jackeline Trovão. A sogra é parente por afinidade em primeiro grau em linha reta e, segundo o Código Civil, não deixa de ser parente mesmo em caso de divórcio.

Nas redes sociais, Júnior Lourenço costuma postar fotos em diversas viagens internacionais com a esposa. Entre os destinos estão Paris, Maldivas e Dubai. Veja imagens:

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Júnior Lourenço e a esposa, Carolina Trovão
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Carolina Bonfim, esposa do deputado Junior Lourenço
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Carolina Bonfim, esposa do deputado Junior Lourenço
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Júnior Lourenço e a esposa, Carolina Trovão

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Mas nem tudo são flores na vida do casal. Carolina Trovão Bonfim chegou a registrar na delegacia, em agosto de 2024, um boletim de ocorrência contra o marido por violência doméstica. Júnior Lourenço teria arrastado a esposa pelos cabelos no chão de um hotel em que eles estavam hospedados em Ipojuca, Pernambuco, durante lua de mel.

Após o caso repercutir na imprensa, contudo, Carolina Trovão Bonfim divulgou uma nota, através das redes sociais do marido, em que alega que tudo não passou de um “mal entendido”, negando qualquer tipo de agressão.

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