Tácio Lorran

O supersalário do procurador que processa Globo por palavra “recorde”

Supersalários do procurador em 2025 somam quase R$ 1 milhão; ele processou a Globo por pronúncia considerada errada da palavra “recorde”

atualizado

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José Cruz/Agência Brasil
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1 de 1 Imagem mostra sede nacional do MPF, procuradoria-geral da república - Metrópoles | supersalários - Foto: José Cruz/Agência Brasil

O procurador da República Cléber Eustáquio Neves – que processa a Rede Globo por erro na pronúncia da palavra “recorde” – recebeu R$ 970 mil em supersalários em 2025, aponta levantamento da coluna com base em dados do Ministério Público Federal (MPF). Desse total, R$ 321,4 mil foram somente de penduricalhos.

A remuneração bruta total do integrante do MPF ultrapassou o teto constitucional (R$ 46,3 mil) em todos os meses, graças aos penduricalhos, ou seja, benefícios e auxílios criados para aumentar os rendimentos e que ficam de fora do teto e levam a supersalários.

Somente em dezembro, mais de R$ 138,1 mil deixaram os cofres públicos em favor de Cléber Eustáquio Neves – quase o triplo do limite.

Confira o gráfico de supersalários:

A Constituição Federal de 1988 define que nenhum servidor público pode receber um salário acima do de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas abre brecha para verbas indenizatórias. Nesse caso, despesas extraordinárias, como diárias, deveriam se enquadrar. Na prática, porém, o que se vê são auxílios para educação e combustível, por exemplo, que levam a supersalários.

“Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório expressamente previstas em lei ordinária, aprovada pelo Congresso Nacional, de caráter nacional, aplicada a todos os Poderes e órgãos constitucionalmente autônomos”, estabelece.

O ministro do STF Flávio Dino determinou a revisão do pagamento dos penduricalhos nos Três Poderes em todo o Brasil. Na avaliação dele, só ressarcimentos de despesas extraordinárias deveriam contar como verbas indenizatórias. As demais, consideradas remuneratórias, precisariam ficar dentro do teto, o que reduziria os supersalários.

A decisão de Dino levou a uma reação em cadeia no funcionalismo público, incluindo procuradores do MPF:

“A controvérsia, portanto, ultrapassa os interesses subjetivos das partes originais e adquire uma repercussão social e institucional de grande magnitude, afetando a segurança jurídica, a previsibilidade e a estabilidade do regime remuneratório de uma carreira de Estado essencial à função jurisdicional”, afirmou, em nota, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público Federal (AMPF).

O que diz o procurador do MPF sobre pronúncia “errada” da Globo

Ao ingressar com uma ação civil pública na 2ª Vara Cível da Subseção Judiciária de Uberlândia (MG) contra a Globo, Cléber Eustáquio Neves pediu uma indenização por danos morais coletivos de R$ 10 milhões. O motivo chama a atenção: “lesão ao patrimônio cultural imaterial da Língua Portuguesa”.

Para o procurador, o cerne da questão paira sobre a pronúncia incorreta da palavra “recorde” reiteradas vezes em telejornais da Globo. O integrante do MPF justificou que se trata de uma palavra paroxítona e, portanto, tem como sílaba tônica a penúltima: “reCORde”. Em vez disso, repórteres e apresentadores a usariam como proparoxítona: “RÉcorde”.

“O uso reiterado do erro de pronúncia por uma emissora que detém a maior audiência do país exerce um efeito multiplicador nocivo, induzindo milhões de telespectadores ao erro, especialmente estudantes em fase de formação e candidatos a concursos públicos”, escreveu o integrante do MPF.

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