Tácio Lorran

MP aponta “omissão” do governo em ação milionária sobre PDP fracassada

Coluna revelou que Saúde e AGU pediram para a Justiça arquivar ação em que EMS foi condenada a devolver centenas de milhões de reais ao SUS

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/ Valter Campanato/Agência Brasil
Ministério da Saúde, em Brasília
1 de 1 Ministério da Saúde, em Brasília - Foto: Reprodução/ Valter Campanato/Agência Brasil

O representante do Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, avalia que tanto o Ministério da Saúde quanto a Advocacia-Geral da União (AGU) foram omissos e contraditórios ao atuarem contra um ressarcimento milionário ao Sistema Único de Saúde (SUS). A representação, enviada à Corte nessa quarta-feira (4/2), se baseia em reportagem da coluna.

Para o subprocurador-geral, as manobras impactam negativamente não só nos cofres públicos, bem como na realização de políticas públicas de saúde:

“Apesar das evidências de irregularidades, o Ministério da Saúde e a AGU adotaram postura omissa e contraditória, retardando a entrega de documentos solicitados pela Justiça e defendendo o arquivamento da ação judicial que buscava o ressarcimento de valores pagos acima do preço de mercado”, escreveu Furtado.
O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Rocha Furtado
O subprocurador do MP no TCU Lucas Furtado

No caso revelado pela coluna, a 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro decidiu no fim de 2025 que a EMS e o Instituto Vital Brazil (IVB) devem devolver centenas de milhões de reais ao governo federal. A cifra ainda precisa ser calculada, mas a farmacêutica estima que pode alcançar até R$ 1 bilhão.

Os documentos apresentados à Justiça mostram que a pasta e a AGU ignoraram mais de 10 relatórios técnicos produzidos por pelo menos quatro anos, nos quais a Saúde não vê evolução no processo de transferência de tecnologia da EMS para o IVB para fabricar o mesilato de imatinibe, que trata leucemia e câncer gastrointestinal.

“O Ministério da Saúde não adotou medidas para extinguir a parceria ou cobrar o ressarcimento dos valores pagos acima do preço de mercado, conforme determina norma interna da própria pasta”, prosseguiu Furtado.

Com a tecnologia em mãos e a estrutura de produção, o mesilato de imatinibe chegaria mais barato ao SUS. O preço dele chega a R$17,3 mil na versão do medicamento de referência (sob o nome comercial de Glivec) em uma caixa de 30 comprimidos com 400mg cada.

Na avaliação da Justiça Federal, os R$ 511,2 milhões pagos sem licitação pelo Ministério da Saúde pelos medicamentos, mais de 200% acima do valor de mercado, só se justificariam se houvesse uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) concretizada entre o IVB e a EMS.

“Os valores majorados somente encontram fundamento jurídico válido sob a condição essencial e indispensável de que tenha havido efetiva, integral e tempestiva transferência de tecnologia ao laboratório estatal”, indicou a magistrada. Como a transferência não ocorreu, “configura-se enriquecimento sem causa jurídica justificadora, gerando enriquecimento sem causa do parceiro privado às custas do erário público”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?