
Tácio LorranColunas

Médica morta: PM omite de ministério que câmeras estavam descarregadas
PM do RJ disse ao Ministério dos Direitos Humanos que captação das imagens da morte de Andréa Marins Dias estaria sob investigação
atualizado
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A Polícia Militar do Rio de Janeiro omitiu do governo Lula que as câmeras corporais dos policiais que mataram a médica negra Andréa Marins Dias estavam descarregadas. Na última quarta-feira (15/4), completou-se um mês que agentes atiraram contra a oncologista de 61 anos “por engano”. Ela morreu na hora.
Em um documento obtido pela coluna, a PM do Rio de Janeiro afirmou ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH), no dia 6 de abril, que os policiais envolvidos na morte utilizavam as câmeras e que “a verificação quanto à efetiva captação de imagens e áudio” e “as condições de funcionamento dos equipamentos no momento da ocorrência” estão sob investigação.
Dias após os policiais matarem a médica, a corporação informou à imprensa, contudo, que não houve captação de imagens da abordagem porque as câmeras dos agentes estavam descarregadas. A investigação, inclusive, baseia-se em câmeras públicas de segurança para remontar o momento da abordagem.

À coluna, o MDH informou, com base nas informações recebidas da Polícia Militar fluminense, que “imagens de câmeras corporais” estão sendo analisadas. A corporação não explicou à reportagem por que omitiu do governo federal que não há qualquer registro do momento da morte de Andréa Marins.
A PM disse apenas que a conduta dos policiais “representa falta grave”.
“Na Corporação existem normas rígidas que determinam que os policiais, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mau funcionamento das câmeras, devem regressar à unidade de origem para substituição dos equipamentos”, disse a Polícia Militar fluminense em nota.
Como informou a coluna, o governo Lula pediu para acompanhar as investigações sobre a morte da médica. O Ministério dos Direitos Humanos pediu uma reunião interinstitucional para a definição de um “fluxo de atuação” para acompanhar o caso, apontando que houve uma “possível violação de direitos humanos”.
Andréa Marins Dias era médica oncologista do Incra e foi morta no dia 15 de março de 2026, após policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar “confundirem” o carro dela com um veículo envolvido em uma perseguição policial.
A médica tinha acabado de sair da casa de seus pais, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Imagens que circularam nas redes sociais mostram o momento em que os policiais abordam o veículo da médica e batem com o fuzil na porta da motorista. Ao abrirem a porta, os agentes encontraram Andréa já sem vida dentro do carro.










