Ex-diretor da Caixa DTVM queria “arrepiar” em escândalo do INSS
Heitor Souza Cunha pediu R$ 20 mil ao receber a chancela para o cargo de diretor-executivo da Caixa DTVM e queria entrar na “Farra do INSS”
atualizado
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O ex-diretor-executivo da Caixa Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (Caixa DTVM), Heitor Souza Cunha, disse que queria “arrepiar” no escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e demonstrou interesse em participar do “negócio de associação”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça o afastou das funções no banco, no qual é servidor, nesta quinta-feira (18/12), no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF).
Ao analisar mensagens, a corporação encontrou indícios de que Heitor queria recriar o modelo da fraude dos descontos indevidos do INSS com aposentados e pensionistas da Caixa Econômica Federal (CEF), para onde retornou em novembro de 2024, após deixar a diretoria. Parte dos diálogos se deu com Adelino Rodrigues Júnior, visto pela PF como um operador financeiro do esquema bilionário.
“Em relação a HEITOR, o próprio contexto de sua nomeação para o cargo de Diretor Executivo da Caixa Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (CAIXA DTVM), marcado por intensa troca de mensagens com ADELINO, por meio das quais são feitas indagações destinadas a obtenção de dados que seriam de interesse da organização, tendo o recém nomeado se colocado, ainda, à disposição para ‘ajudar neste negócio de associação’, apontam para a tentativa de instrumentalização da função ocupada, com o aparelhamento do cargo para fins ilícitos”, escreveu o ministro André Mendonça.
Heitor pediu um “adiantamento” de R$ 20 mil a Adelino ao descobrir que se tornaria diretor-executivo da Caixa DTVM – posteriormente, chegou até a presidência interinamente. O operador financeiro lhe repassou R$ 10 mil em junho de 2024.
“Há indício de conversas entre ADELINO e HEITOR em que este último solicita um adiantamento de 20 mil, em razão de ter saído sua ‘autorização para o cargo de diretor’. Em junho de 2024, HEITOR recebe mais dez mil reais repassados por ADELINO”, assinalou a PF.
O ex-diretor-executivo e outro suposto operador do esquema, Hélio Marcelino Loreno, eram considerados “sócios” no “negócio da CAIXA”. “Essa parceria é essencial para caracterizar uso de estrutura estatal em benefício da organização criminosa”, escreveu a PF.

Mas a teia de relações de Heitor não se limita a Adelino, Hélio ou até mesmo ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O ex-diretor-executivo ainda quis se aproximar do parceiro de negócios do empresário, Domingos Sávio de Castro:
“Em dezembro de 2024, HEITOR pergunta que horas poderia se encontrar com DOMINGOS, pois sustenta que em 2025 iriam ‘arrepiar’, informando, ainda, que iria tentar ajudar ‘neste negócio de associação’.”
Além do afastamento cautelar da Caixa DTVM – também chamada de Caixa Asset –, Mendonça determinou que Heitor seja monitorado com tornozeleira eletrônica. O ministro do STF também o proibiu de sair do Brasil, motivo pelo qual deve entregar o passaporte, e de ter contato com investigados na operação.
Mendonça também autorizou a abertura de inquéritos policiais para apurar o esquema dentro da Caixa. Também determinou que a PF compartilhe informações sobre Heitor com o banco, para que possa realizar uma investigação disciplinar.

























