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Ramiro Brites

Mensagem de sócios de firma de ônibus do litoral de SP cita Marcola, do PCC

Em mensagem interceptada, empresários apontados como testa de ferro do PCC conversam sobre o líder da facção e fraude em contratos públicos

17/09/2026 09:07, atualizado 17/09/2026 19:37
Hugo Barreto/ Metrópoles
PCC Marcola STF

A Polícia Civil de São Paulo interceptou uma mensagem de José Daniel Satilite para Claudionor Tomaz em que faz referência a Marcola, o apelido de Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Satilite e Tomaz são os sócios da viação Trans Líder, empresa concessionária de ônibus em Cubatão, cidade da baixada santista, no litoral de São Paulo. A administração municipal disse que a empresa não tem contrato no município desde 2019.

Na conversa, eles estão falando sobre manipulação de licitações do transporte público em Itanhaém, outro município da mesma região. Em nota, a Prefeitura de Itanhaém diz que “nenhuma das 12 empresas citadas na imprensa” ganhou a licitação no município. A empresa que opera na cidade é a Expresso Fênix Ltda. desde 2024 e, segundo a administração municipal, não foi “constatada nenhuma irregularidade contratual”.

“O processo licitatório do transporte público, ocorrido e concluído em novembro de 2021, com vigência contratual de 15 anos, podendo ser prorrogável por igual período, seguiu rigorosamente toda a legislação, com acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado durante o certame a na execução contratual vigente”, afirma.

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A investigação do núcleo de Mogi das Curzes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), resultou no pedido de prisão temporária de 13 investigados, entre eles o ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo Milton Leite, principal liderança do União Brasil paulista.

Segundo a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Leite não tem relação com a Trans Líder, mas sim com a Transwolff, responsável por linhas de ônibus na zona sul da capital paulista, e que também teria envolvimento com o PCC. A empresa está sob intervenção da Prefeitura de São Paulo desde abril de 2024. A administração municipal considera a iniciativa “uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte”, diz que atua com “rigor” e encerrou o contrato com a empresa.

“A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela  Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório”, afirma em nota.

Em relação à Trans Líder que atua no litoral, as investigações afirmam que é gerida pelo empresário Paulo Siqueira Korek Farias, apontado como testa de ferro da facção. Em áudio interceptado pelos investigadores, tratou-se da venda de 63 ônibus da Trans Líder por mais de R$ 1,2 milhão. Na ocasião, Korek indicou a conta de outra empresa do ramo, A2 Transportes, para receber o dinheiro e pagar laranjas.

Milton Leite nega elo com PCC

O ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo e presidente do União Brasil paulista, Milton Leite, negou veementemente que tenha qualquer vinculação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Leite é alvo de mandado de prisão em operação que aponta elo da facção com empresas de ônibus.

Segundo a investigação, o político teria participação direta em empresas ligadas ao PCC que obtiveram contratos públicos no setor de transportes.

Milton Leite nega. Ele diz que atuou apenas na esfera pública em relação ao setor de transportes. A pedido do então prefeito Bruno Covas (ex-PSDB), morto em maio de 2021. Durante o mandato do tucano, Leite teria atuado para dissolver greves no setor.

Leite também negou que está foragido. Ele disse que não se encontrava em casa quando foi alvo da operação pois estava em viagem para o interior do estado.

“Aproveitei que a minha esposa está no exterior e que é época de campanha e vim para o interior para cuidar das campanhas dos meus filhos e do partido”, disse Leite à coluna.

Questionado em qual cidade do interior ele estaria, Leite respondeu “se eu te contar, a polícia vem me buscar”. O político diz que precisa de 24 horas para conversar com seus advogados e, depois, irá se apresentar à polícia.

Os filhos do cardeal do União paulista, Milton Leite Filho e Alexandre Leite, são candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente.

Em nota, o advogado de Marcola informou que seu cliente está preso ininterruptamente desde 1999 e não tem “qualquer relação ou participação nos fatos sob apuração”. Os advogados de Satilite, Tomaz e Korek não foram encontrados.