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Ramiro Brites

Estatal da Bahia contratou sem licitação startup de filha de Otto Alencar

A Embasa assinou contrato sem licitação com a startup Ecoari, de Isadora Alencar, filha do senador Otto Alencar, para ecopontos em Salvador

10/10/2026 04:30
Agência Senado
Imagem colorida do senador Otto Alencar discursando no Senado

A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) assinou, sem licitação, um contrato para a Ecoari, startup de Isadora Alencar, filha do senador Otto Alencar (PSD-BA), implementar três ecopontos digitais em Salvador.

O acordo, assinado em maio de 2026 teve vigência até dezembro de 2026, vai render R$ 150 mil à empresa da filha do parlamentar. O contrato foi feito na modalidade de patrocínio, que prevê inexigibilidade de licitação.

Segundo a Embasa, a proposta foi submetida à avaliação técnica de uma comissão interna e cumpriu todos os trâmites legais exigidos.  “O pagamento do patrocínio está condicionado à comprovação do cumprimento das entregas previstas no projeto aprovado”, disse a estatal em nota.

A Ecoari é um aplicativo que acumula pontos e sorteia prêmios como recompensa a quem descarta lixo reciclável em pontos específicos. A empresa entrou em evidência após o jornal Folha de S.Paulo mostrar que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (PF), financiou a startup. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi alertado pela B3, Bolsa de Valores do Brasil, que a startup tinha ativos custodiados pelo Master incompatíveis com o tamanho da empresa. Isadora Alencar disse ao jornal que as movimentações financeiras se tratam de “empréstimo regular”.

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Sobre o patrocínio dos ecopontos em Salvador, a Ecoari diz que foi contratada para desenvolver programas de incentivo ao descarte correto de resíduos.

“São programas essenciais para reduzir ou mesmo evitar alagamentos e entupimentos de redes públicas de esgoto e drenagem fluvial, problemas que, com frequência, castigam boa parte da população de Salvador durante o período de chuvas”, diz a empresa em nota.

A coluna entrou em contato com o senador Otto Alencar, que não quis se manifestar.