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Ser um “adulto não-funcional” pode acabar com o tesão? Entenda
Desorganização, dependência e zero autonomia: isso pode matar o clima e afastar a parceria? Descubra
atualizado
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Será que ser um “adulto funcional” virou algo afrodisíaco? Manter a casa em caos, não dar conta nem do próprio almoço, acumular pratos sujos e depender de terceiros para colocar a vida em ordem está longe de ter qualquer charme.
Aquela ideia, frequentemente abordada nas redes sociais de “adulto funcional” (que dá conta da própria vida e não atrapalha a dos outros) parece ter se tornado um item de luxo quando se procura qualidades em uma parceria.
Mas, por que a falta de responsabilidade ou maturidade pode afetar a relação e fazer o tesão sumir? Segundo a psicóloga e sexóloga Karina Brum, isso ocorre porque as mulheres lutam por relações em que haja segurança e proteção emocional, onde o básico seja o normal – ninguém quer namorar ou casar com alguém que esteja no lugar simbólico de “filho mais velho”.
“Não há tesão que sobreviva ou floresça por um homem que mentalmente não saiu do jardim de infância”, comenta. “As mulheres foram literalmente educadas para serem cuidadoras zelosas e gentis com sua família. Quando a mulher não tem autoconhecimento e autovalor bem estruturados, ela confunde os papéis. Daí tem muita esposa maternando o marido. Ser gentil é diferente de ser passiva.”

A profissional ainda destaca que historicamente a mulher foi “programada” para cuidar de si e dos outros. “Para nós mulheres, o mínimo é ter essa rotina de autocuidado. Ir ao ginecologista 1 vez ao ano ou ao dentista semestralmente – esse é o básico ensinado para qualquer mulher. O homem, quando menino, tem uma mãe que faz tudo por ele. Já ouvi em consultório histórias do tipo: ‘minha mãe que marca minha consulta com o urologista, eu nunca me lembro quando devo ir’. Esse ciclo de dependência emocional precisa ser revisto e remodelado.”
“Todos nós temos capacidade e intelecto para saber como e quando agendar um compromisso que, em teoria, nos fará prevenir de qualquer tipo de adoecimento. Quando se casam, as pessoas costumam romantizar uma relação idealizada, onde cada um sabe o seu papel enquanto adulto funcional – infelizmente, o óbvio precisa ser dito ou questionado”, emenda a profissional.
Por isso, Karina acrescenta: “Quando uma das partes não faz a sua parte, com certeza a outra ficará sobrecarregada. Não há desejo ou atração erótica sem admiração.”
A bagunça emocional e a imaturidade realmente conseguem pesar mais que a química?
A sexóloga ainda salienta que um adulto confuso adoece pessoas saudáveis. “A bagunça emocional só começa a se organizar para ressignificar quando a pessoa decide ser a própria prioridade e acredita que saúde mental é uma questão básica de viver em harmonia consigo mesmo e com o mundo em volta.”
Como saber se o tesão acabou por falta de desejo ou por exaustão emocional por carregar a relação nas costas?
Para a profissional, identificar o fim do tesão não é fácil em situações como essas. “A exaustão emocional acontece porque tentamos ‘salvar’ a relação sozinhos (as). Seja namoro, casamento ou date para sexo casual, todas as relações exigem atenção.”

“Costumo dizer que até para transar com alguém do aplicativo é necessário ser gentil, bem-humorado, honesto e disposto. Agora, quando se está num relacionamento que, em tese, foi acordado entre as partes o compromisso, a rotina diária deve conter flerte, sedução, disponibilidade, disposição e consenso”, emenda.
Karina, por fim, destaca que quando só uma parte faz ou se esforça, significa que o desequilíbrio afetivo está instaurado. “O sofrimento causa rupturas que às vezes não conseguem ser restauradas: ou quebra tudo e tenta montar novamente ou quebra tudo e se refaz com calma, sozinho.”






















