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Robô ou romance? 1 em cada 4 pessoas toparia relação com máquina
Pesquisa mostra maior abertura entre jovens e revela curiosidade de sexo e romance com robô; entenda a tendência
atualizado
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Uma pesquisa da ZipHealth revelou que 1 em cada 4 pessoas (25%) consideraria dormir com um robô, mostrando que a ideia já não é tão distante da realidade para parte da população. O levantamento foi feito com adultos no Reino Unido e indica uma mudança na forma como tecnologia e intimidade começam a se cruzar.
Os dados mostram diferenças geracionais claras: entre os mais jovens, a aceitação é maior. Cerca de 37% da geração Z disseram que consideraram a experiência, enquanto, entre os millennials, o número gira em torno de 28%. Já entre pessoas acima de 55 anos, a rejeição predomina, com a maioria afirmando que não se envolveria com máquinas nesse contexto.
A pesquisa também apontou motivações curiosas. Entre os que aceitariam, muitos citaram fatores como curiosidade (cerca de 60%), além da ideia de uma experiência sem julgamentos ou complicações emocionais. Por outro lado, entre os que recusariam, as principais razões incluem desconforto, preferência por conexões humanas reais e preocupações éticas.
Apesar da divisão de opiniões, o estudo indica que o avanço da inteligência artificial deve tornar esse debate cada vez mais presente. Para especialistas, o crescimento desse interesse levanta discussões importantes sobre relações, limites tecnológicos e o futuro da intimidade em uma sociedade cada vez mais digital.

O que é a digissexualidade?
Ao Metrópoles, o psicanalista Arthur Costa explica que esse comportamento se encaixa dentro da digissexualidade, uma forma de expressão afetiva e sexual mediada pela tecnologia. “São pessoas que constroem vínculos, desejos ou prazer por meio de interações digitais, como relacionamentos virtuais, inteligência artificial, avatares ou experiências de realidade aumentada.”
“Ela surge de um fenômeno contemporâneo: o deslocamento do contato físico para o digital. Na psicanálise, isso pode ser visto como um novo modo de satisfação do desejo, em que o outro é substituído por uma presença tecnológica que ainda assim produz afeto e prazer simbólico”, comenta.
Como uma pessoa se identifica?
Arthur explica que a pessoa pode se identificar como digissexual quando percebe que suas experiências emocionais e sexuais estão predominantemente vinculadas ao ambiente digital. “Ou seja, ela sente mais conexão, excitação ou intimidade nas interações virtuais do que nas relações presenciais.”
O psicanalista salienta que essa identificação não é necessariamente patológica, e sim uma forma de vivenciar o desejo dentro da cultura tecnológica atual. “O que importa é se essa relação com o digital amplia a vida ou se a isola do contato humano.”

De acordo com ele, esse match com IA acontece porque ela oferece segurança, previsibilidade e ausência de rejeição, fatores que tocam diretamente o inconsciente humano.
O profissional ainda emenda que o risco, em casos como esse, ocorre quando o digital se torna refúgio contra a frustração do real. “Quando a pessoa substitui o encontro humano pelo encontro com a máquina, perde a dimensão do desejo, que nasce justamente da falta e do imprevisto. A tecnologia pode ser mediadora do afeto, mas nunca substituta da experiência humana.”
























