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Por que você não deveria pedir conselhos e dicas de sexo a uma IA
Utlizar plataformas de Inteligência Artificial (IA) para pedir conselhos amorosos e sexuais pode ser negativo; entenda
atualizado
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Chatbots de Inteligência Artificial (IA) têm sido utilizados com diversas finalidades, desde fazer lista de compras do mercado até terapia. Há, inclusive, quem esteja usufruindo da plataforma para buscar dicas de sexo e conselhos amorosos.
Segundo a neuropsicóloga Leninha Wagner, a prática pode ser negativa. “A terapia é, antes de tudo, um encontro entre dois sujeitos. Não se trata apenas de palavras, mas daquilo que Freud já nomeava como transferência: esse fenômeno em que o paciente projeta no analista sentimentos, desejos, expectativas e até frustrações que vêm da sua história psíquica.”

A profissional destaca que um sistema de IA pode até oferecer análises lógicas, devolutivas interessantes e até mesmo frases que soam acolhedoras, mas há um vazio estrutural: não há sujeito do outro lado.
“O que significa que não há transferência genuína, não há olhar que se sustente, não há silêncio vivo que acolha. A psicoterapia, em sua vertente cognitiva, humanista ou psicanalítica, envolve a construção de um vínculo humano real”, reforça.
Por isso, Leninha acrescenta que “substituir a terapia por uma conversa com a inteligência artificial seria o mesmo que tentar substituir o calor do sol por uma lâmpada: pode iluminar, mas não aquece.”
E por que não pedir conselhos sexuais e amorosos?
Na visão da expert, o mesmo vale para pedir conselhos sexuais e amorosos para as plataformas. “O amor e a sexualidade pertencem a uma esfera ainda mais delicada: a da subjetividade profunda. Eles não obedecem apenas a parâmetros racionais. Se alimentam de desejo, pulsão, inconsciente e fantasia.”
Pedir conselhos sexuais ou amorosos a uma inteligência artificial, para ela, significa tentar reduzir uma experiência essencialmente humana, marcada pela vulnerabilidade, à lógica de um manual de instruções.
Mesmo que essas plataformas possam oferecer reflexões úteis, fundamentadas em psicologia e neurociência, não há como substituir um profissional.
Apesar disso, a especialista aponta que os chats de IA ainda podem ser úteis para organizar pensamentos difusos, trazer informações embasadas em ciência e clínica e estimular reflexões pessoais iniciais, por exemplo.
Por fim, pondera: “Só o humano pode oferecer o vínculo terapêutico real, que transforma e sustenta o sofrimento; a escuta atravessada pela subjetividade, pelo silêncio e pela empatia autêntica; a experiência amorosa e sexual em sua inteireza — feita de corpo, afeto e risco.”




















