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“Monkey-barring”: tendência tóxica em relacionamentos acende alerta
Sexóloga alerta: o monkey-barring é uma prática emocionalmente danosa, compromete relações e mascara medo profundo da solidão e do abandono
atualizado
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Uma nova tendência vem chamando atenção no universo dos relacionamentos modernos — e não de forma positiva. Chamado de “monkey-barring”, o comportamento ganhou o nome em alusão ao comportamento comum dos macacos, que nunca soltam uma barra sem antes segurar a próxima. Na prática, representa pessoas que só encerram uma relação quando já têm outra engatada.
A sexóloga Alessandra Araújo explica que o termo, apesar de recente, revela um padrão emocional profundo: “O monkey-barring é a prática de não encerrar uma relação antes de já ter garantido um novo parceiro. A metáfora é perfeita — a pessoa não se permite ficar solteira, nem que seja por um breve momento.”
De acordo com a especialista, o grande problema está na deslealdade. “Diferente do poliamor, que se baseia em consentimento e transparência, o monkey-barring opera na sombra do engano. O parceiro atual é mantido na ignorância e usado como uma zona de segurança emocional”, explica Alessandra.

A raiz desse comportamento, afirma a sexóloga, geralmente está no medo de ficar só — muitas vezes ligado à teoria do apego ou a traumas infantis. “A solidão é percebida como um vazio intolerável. Para evitar isso, a pessoa constrói pontes inconscientes entre um relacionamento e outro, sem nunca se permitir viver o luto amoroso.”
De acordo com a leitura freudiana mencionada por Alessandra, esse padrão pode ser uma forma de lidar com a ansiedade de separação. “A pessoa tenta, com o novo parceiro, preencher lacunas deixadas por dores não resolvidas. Mas acaba entrando num ciclo vicioso de relações frágeis e sem presença emocional real.”

Os efeitos do monkey-barring nas relações
Segundo a especialista, os efeitos do monkey-barring são prejudiciais para todos os envolvidos. Quem é deixado, se sente traído e usado, pois descobre que a relação foi apenas um trampolim. Já quem entra na nova relação o faz sem tempo de elaborar a anterior, trazendo bagagens emocionais e inseguranças que podem minar o novo vínculo.
“O mais trágico é que, no fundo, não se trata do novo parceiro. Trata-se sobre o medo. A pessoa está sempre fugindo da dor e da própria vulnerabilidade. Sem esse enfrentamento, ela não consegue viver uma relação plena, apenas sobrevive de uma ponte para a outra”, finaliza a sexóloga.
