
Pouca vergonhaColunas

É traição ficar com outra(o) se está “dando um tempo” da parceria?
Ficar com outra pessoa quando “está dando um tempo” pode ser considerado traição? Veja o que diz expert
atualizado
Compartilhar notícia

É considerado traição ficar com outra pessoa quando se esta dando um tempo? Este é um dos tópicos de relacionamento mais debatidos e com o qual ninguém parece concordar — não apenas na vida pessoal, como também na TV. Não à toa, é um dos debates centrais da série Friends, envolvendo os protagonistas Ross e Rachel. Agora, o público novamente se viu neste embate com a série O Verão que Mudou Minha Vida.
No primeiro episódio da nova temporada, Belly (interpretada por Lola Tung) descobre que Jeremiah (Gavin Casalegno) dormiu com outra pessoa durante as férias de primavera, enquanto os dois estavam “dando um tempo”. A polêmica, então, foi novamente levantada.

A psicóloga especialista em relacionamento Emily Verde aponta que essa pergunta é muito comum no consultório. A resposta depende do que o casal combinou antes desse “tempo”.
“A traição não é só um ato físico, mas uma quebra de confiança. Se o casal não deixou claro se pode ou não se relacionar com outras pessoas nesse período, é natural que surjam sentimentos de traição, mesmo que, tecnicamente, não tenha havido um acordo violado”, comenta a profissional.
Emily acrescenta que o sofrimento é real e leva um certo tempo para o casal entender essas expectativas e começar a realinhá-las em situações como essa.

A resposta é sutil e, obviamente, dependente do contexto. Se, em vez disso, perguntássemos: “É meio chato dormir com outra pessoa apenas algumas horas/dias depois de dar um tempo do seu parceiro?”, talvez todos diriam que sim.
Isso é especialmente verdadeiro no caso de Ross e Jeremiah, quando os “términos” foram decididos no calor do momento, durante as brigas, quando ambos claramente queriam ficar com seus parceiros.
Além disso, Emily salienta que traição é um conceito que varia de casal para casal. “Algumas pessoas consideram só o contato físico, outras veem até uma conversa íntima escondida como deslealdade.”
Para a especialista, é necessário levar em consideração as crenças de cada um: o que foi combinado? O que cada um entende como fidelidade?
“Muitas brigas surgem porque um acha que ‘é óbvio’ e o outro tem uma visão diferente. Trazer isso para a consciência ajuda o casal a negociar seus limites e, se houve uma quebra, trabalhar a reconstrução da confiança com ações concretas — porque confiança não volta só com palavras, volta com comportamentos consistentes.”
No fim das contas, não importa se é “traição”, por assim dizer, porque os sentimentos provavelmente serão os mesmos, independentemente de ser rotulado ou não.










