E quando o amor fica, mas o desejo sexual some? Sexóloga dá dicas
Especialista explica por que amor e desejo nem sempre caminham juntos e aponta caminhos para reconstruir a conexão íntima no relacionamento

Amor, companheirismo e história em comum seguem intactos, mas o desejo sexual simplesmente desaparece. Essa contradição, comum em relações estáveis, costuma gerar culpa, frustração e insegurança entre os parceiros.
Segundo a sexóloga Alessandra Araújo, entender que amor e desejo funcionam de maneiras diferentes no cérebro é o primeiro passo para enfrentar o problema sem transformar a relação em um campo de acusações.

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Ver todasEntenda
- Amor e desejo não ocupam o mesmo espaço emocional e podem se desencontrar.
- A queda do desejo costuma ter causas físicas, emocionais ou relacionais.
- Pequenas mudanças de comportamento ajudam a reativar a conexão íntima.
- Comunicação empática e, em alguns casos, terapia são fundamentais.
Amor e desejo: conexões diferentes
De acordo com Alessandra Araújo, uma das maiores confusões nos relacionamentos é acreditar que amar alguém garante, automaticamente, desejo sexual constante. “O amor se fortalece com segurança, cuidado e rotina compartilhada. Já o desejo precisa de novidade, admiração e até de certa distância simbólica.”
Por isso, a profissional afirma que é possível amar profundamente e, ainda assim, atravessar períodos de ausência de vontade sexual.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Essa desconexão costuma ser dolorosa. Quem não sente desejo frequentemente se culpa, enquanto o outro lado pode interpretar a situação como rejeição pessoal”, ressalta.
Onde o desejo se perde pelo caminho
A sexóloga explica que a vontade não desaparece sem motivo. Segundo Alessandra, esse sentimento geralmente é sufocado por fatores específicos. Entre eles estão questões hormonais e biológicas, como alterações na tireoide, menopausa ou uso de medicamentos.
Há também o desgaste da rotina, quando o casal funciona bem como equipe doméstica, mas deixa de se enxergar como amantes.
“Ressentimentos acumulados e não verbalizados criam barreiras emocionais difíceis de transpor. Além disso, a sobrecarga mental e o cansaço constante, especialmente entre mulheres, dificultam o relaxamento necessário para a excitação sexual”, explica a expert.

Estratégias para reacender a chama
Alessandra Araújo destaca que insistir no sexo quando não há desejo tende a aumentar a ansiedade. “O caminho mais eficaz começa pelo resgate do contato físico sem cobrança, como abraços prolongados e toques afetivos. Outra estratégia é agendar momentos de intimidade, criando expectativa e preparação emocional”, orienta.
Recuperar a individualidade também é essencial. O apetite sexual surge no espaço entre duas pessoas, e não na fusão completa. Ter interesses próprios, circular em outros ambientes e cultivar a admiração mútua ajudam a reativar a atração. Quebrar a rotina sensorial, com novos cenários, estímulos e experiências, também favorece a liberação de dopamina, ligada ao prazer.
Falar sobre o assunto sem ferir
A comunicação precisa ser honesta e cuidadosa. Em vez de acusações, a orientação da sexóloga é expressar sentimentos e desejos de forma acolhedora, reforçando o vínculo afetivo. “Quando a falta de vontade está associada a traumas, traições ou sofrimento intenso, a terapia sexual ou de casal se torna o caminho mais seguro para reconstruir a intimidade.”
Segundo a especialista, o silêncio prolongado costuma ser mais prejudicial do que a conversa difícil. Afinal, desejo pode ser reconstruído — desde que o amor encontre espaço para dialogar.



























