Pouca vergonha

Phubbing: o que é e como ele pode atrapalhar seu relacionamento

Psicóloga Ana Paula Nascimento explica como o phubbing mina a conexão emocional dos casais e mostra caminhos para reaproximar

atualizado

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foto colorida casala mexendo no celular
1 de 1 foto colorida casala mexendo no celular - Foto: skynesher via Getty Images

Eles estão lado a lado, mas há um mundo entre eles — o da tela do celular. Enquanto um desliza o dedo pelas notificações, o outro observa em silêncio. A cena, cada vez mais comum, tem um nome: phubbing, termo que une phone (telefone) e snubbing (desprezo).

A psicóloga e mentora de casais Ana Paula Nascimento explica que o comportamento é sutil, mas profundamente corrosivo para a intimidade. “O phubbing acontece quando o celular começa a disputar — e vencer — o espaço da atenção que deveria ser dedicada ao parceiro. Aos poucos, a tela toma o lugar do olhar, da escuta e da presença.”

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O celular que rouba o espaço da conexão

O gesto de “só dar uma olhadinha” nas redes sociais ou responder uma mensagem rapidamente parece inofensivo, mas, quando vira hábito, transforma momentos de afeto em desconexão. “Aos poucos, o celular se interpõe entre o casal. Aquela conversa que poderia gerar aproximação vira uma oportunidade perdida”, diz Ana Paula.

Para o parceiro que é ignorado, a sensação é de invisibilidade. “A mensagem silenciosa é: ‘o que está na tela é mais interessante do que você’. Isso gera dor, ressentimento e distância emocional.”

foto colorida casal brigando enquanto a mulher mexe no celular
O phubbing se torna um problema grave quando o celular começa a usurpar o espaço da atenção que é vital e que, por direito, deveria ser dedicada ao parceiro

O que o phubbing causa nos relacionamentos

Os impactos desse comportamento vão muito além da irritação momentânea. Segundo a psicóloga, o phubbing corrói a base emocional da relação. Entre os principais prejuízos, estão:

  • Sentimento de desvalorização: o parceiro se sente ignorado e menos importante.
  • Queda da conexão emocional: a falta de atenção rompe a intimidade.
  • Comunicação fragmentada: as conversas perdem profundidade e clareza.
  • Solidão dentro do relacionamento: estar junto, mas se sentir sozinho.
  • Conflitos e ressentimentos: pequenas mágoas que se acumulam e viram brigas.
  • Erosão da confiança: a percepção de que o outro já não prioriza a relação.

“Não é uma traição no sentido clássico, mas é uma forma de abandono emocional. É o tipo de distância que não se mede em metros, mas em olhares que não se cruzam”, resume Ana Paula.

foto colorida casal
A boa notícia é que é possível reverter os efeitos do phubbing e reacender a conexão. Exige consciência, compromisso e esforço de ambos

Como reconstruir a presença e o vínculo

A boa notícia é que é possível reverter os efeitos do phubbing. Para Ana Paula, o primeiro passo é o reconhecimento — e o diálogo. “É importante conversar sobre o tema sem acusar. Dizer como se sente, em vez de apontar o erro do outro, abre espaço para empatia e mudança.”

Ela recomenda práticas simples, mas poderosas, para resgatar a conexão:

  • Criar zonas livres de celular: refeições, cama e passeios a dois devem ser momentos sem telas.
  • Fazer uma desintoxicação digital: desligar notificações ou deixar o celular de lado por períodos do dia.
  • Priorizar a escuta ativa: olhar nos olhos, responder com atenção, validar o que o outro diz.
  • Planejar momentos de presença: cozinhar juntos, caminhar, conversar sem distrações.
  • Dar o exemplo: mudar o próprio comportamento é mais eficaz do que cobrar o do outro.
Foto colorida casal, homem mexendo no celular e mulher olhando
O parceiro phubbed (o que é ignorado) frequentemente sente que não é importante o suficiente para merecer a atenção exclusiva do outro

O que o phubbing revela sobre nós

Para Ana Paula, o phubbing expõe uma contradição moderna: a tecnologia que promete nos conectar pode nos afastar de quem mais amamos. “É o desprezo da interação real em favor da digital. O celular vira um escudo que nos protege do tédio, do silêncio e até da vulnerabilidade — mas, ao mesmo tempo, constrói muros invisíveis entre nós.”

Reconhecer o problema, diz ela, é o primeiro passo para mudar. “Relacionamentos saudáveis pedem presença, e presença é algo que não se compartilha com uma tela. Quando escolhemos abaixar o celular, escolhemos enxergar o outro.”

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