Descobri agressões do parceiro em outro relacionamento, devo terminar?
Caso Dado Dolabella: psicólogos avaliam o que fazer ao descobrir agressões da parceria em outro relacionamento
atualizado
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Descobrir que alguém com quem se está envolvido tem um histórico de agressão em relacionamentos anteriores pode ser um choque emocional. É natural sentir medo, confusão e até culpa ao tentar entender o que isso significa para a própria relação. Tomar uma decisão sobre continuar ou encerrar o vínculo exige reflexão, informação e cuidado com os próprios limites — além de atenção à segurança emocional e física.
Esta semana, veio à tona mais um caso de agressão física e verbal feita pelo ator Dado Dolabella contra a namorada Marcela Tomaszewski. Diferente do caso do famoso, em que o histórico de agressão é conhecido e comprovado, algumas mulheres (principalmente) só descobrem sobre o passado de violência do parceiro quando já estão envolvidas e apaixonadas.

O psicólogo André Machado aponta que essa descoberta pode trazer uma onda de emoções intensas, como choque, raiva, tristeza e até questionamentos sobre si mesmo por não ter notado antes.
“É importante reconhecer esses sentimentos como uma reação natural, sem tentar suprimi-los. Considere conversar com pessoas de confiança, como amigos ou familiares, para ajudar a organizar os pensamentos”, explica.
Já o psicólogo dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Pedro Rujano destaca que é comum apresentar sofrimento emocional e oscilar entre tentativas de racionalização (“as pessoas mudam”) e de autoproteção (“será que isso pode acontecer comigo?”). Diante dessa descoberta, é essencial acolher o que sente sem minimizar ou julgar as próprias reações.
“Situações como essa tocam dimensões profundas da confiança e da segurança afetiva. É necessário compreender o que essa experiência desperta em nós, quais valores ela desafia e o que nos ensina sobre nossos próprios limites e escolhas”, acrescenta.
O que fazer se a descoberta despertar medo, insegurança ou dúvidas
Pedro explica que se, após a descoberta, surgirem medo, insegurança ou dúvidas sobre a própria integridade, é essencial ouvir esses sinais internos. “O medo, nesse contexto, não é um inimigo, é um alerta de autopreservação. Ele indica a necessidade de cuidado, proteção e reflexão. Ninguém deve permanecer em uma relação em que o respeito, a liberdade e a tranquilidade são ameaçados. Amar o outro não significa perder a si mesmo.”
O psicólogo aponta medo e insegurança nessa situação são respostas compreensíveis que pedem atenção cuidadosa, servindo como um lembrete para se proteger. “Pode ser útil compartilhar o que está sentindo com pessoas próximas de confiança e preparar um plano simples de suporte, como reunir documentos importantes ou identificar um lugar seguro.”

É possível que alguém que já foi agressor mude de comportamento?
Os psicólogos destacam que sim, a mudança pode ocorrer. “A mudança é possível, mas depende de um esforço contínuo e profundo, muitas vezes com apoio profissional como terapia ou programas de reabilitação. Estudos sugerem que cerca de 30% a 50% das pessoas em tais processos mantêm melhorias a longo prazo, quando há uma assunção real de responsabilidade”, explica André.
Já Pedro emenda que o arrependimento verbal não basta em situações assim. “Mudança real exige autoconhecimento, reconhecimento dos danos causados, busca ativa por ajuda especializada, capacidade de empatia e consistência nas atitudes. O agressor que verdadeiramente se transforma não tenta justificar o passado, mas o encara como aprendizado e age para não repeti-lo.”








