
Paulo CappelliColunas

Policiais acusados de receber R$ 1 milhão do PCC voltam à ativa em SP
Justiça rejeitou denúncia do Ministério Público contra policiais acusados de cobrar R$ 1 milhão em propina para poupar integrante do PCC
atualizado
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A Polícia Civil de São Paulo reintegrou os agentes Murilo Muniz e Alan Fernandes Dias, que estavam afastados da corporação desde dezembro de 2025 após serem presos na Operação Mata-Nota.
Os policiais foram acusados de cobrar R$ 1 milhão em propina, durante videochamada, para engavetar uma investigação que envolvia um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Oficializada nessa quarta-feira (11/2), a reintegração ocorre depois de o Judiciário rejeitar as denúncias apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo.
Os dois atuam na 4ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc).
Muniz e Dias foram presos no dia 10 de dezembro, em São Paulo, na operação realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Na ocasião, a Justiça também determinou o arresto, sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 1 milhão, exatamente a quantia apontada na investigação como a propina paga aos agentes públicos pelo advogado de Wagner Nascimento de Souza, conhecido como “Costurado”. Ele é apontado como integrante do PCC e responsável pela logística financeira da facção.
Em nota enviada à coluna, a Polícia Civil informou: “O Poder Judiciário rejeitou as denúncias do Ministério Público envolvendo os policiais citados, que foram colocados em liberdade no último dia 30 e reintegrados à função pública, conforme determina a legislação”.
Vídeo revelou pedido de propina
As investigações começaram no ano passado, quando um homem foi preso em flagrante em Alto Garças, em Mato Grosso, enquanto transportava 345 kg de drogas no fundo falso de um caminhão frigorífico. A quebra do sigilo telemático do suspeito mostrou aos agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) a existência de um vídeo que, na visão do Ministério Público, demonstraria as ações criminosas dos agentes.
As imagens mostram um diálogo entre os policiais civis e Ademilson Alves de Brito, advogado de Wagner Nascimento de Souza. Na conversa, os agentes do Denarc exigiram o pagamento de R$ 1 milhão para encerrar as investigações contra o faccionado.
“Eu posso ficar tranquilo então que esse assunto tá encerrado, mandou a nota? Ninguém deve nada?”, questionou o advogado aos policiais em chamada de vídeo.
“Tá bom, então acabou, pode ficar tranquilo, só levar esses dois, não vão vir mais ninguém, não vai vir atrás de mais ninguém [sic]”, reforçou Ademilson. Em resposta, o investigador Murilo Muniz afirmou que somente um alvo seria indiciado.
Segundo o MPSP, a promotoria promoveu o arquivamento do inquérito em questão por falta de provas, “em decorrência do relatório final apresentado” pela Polícia Civil.
Após a operação, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta por parte de seus agentes e que todas as medidas administrativas cabíveis seriam adotadas, sem prejuízo das apurações criminais e disciplinares. “A pasta permanece colaborando com as autoridades responsáveis para o completo esclarecimento dos fatos”, disse, em nota.
Policiais compraram imóvel dias após gravação
Segundo a representação do MPSP, Murilo Muniz adquiriu um imóvel avaliado em mais de R$ 700 mil apenas cinco dias após a gravação da chamada de vídeo, em maio do ano passado. A promotoria destacou que a mensalidade do financiamento (R$ 6.550,80) é incompatível com a remuneração líquida do investigador (R$ 7.245,83), conforme dados do portal da transparência.
Alan Fernandes Dias adquiriu um apartamento cerca de cinco meses após o vídeo, em outubro do ano passado, no valor de R$ 215 mil. Por não constar na matrícula a forma de pagamento, o Gaeco suspeita de que o valor pode ter sido pago à vista.
Os agentes reintegrados não foram localizados pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.









