João Campos quer privatizar área histórica da cidade
A proposta integra o chamado Distrito Guararapes, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões nos bairros do Recife

O prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, apresentou um projeto que prevê a concessão da Avenida Guararapes e áreas do entorno à iniciativa privada. A proposta integra o chamado Distrito Guararapes, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões para requalificar trechos dos bairros de Santo Antônio, São José, Cabanga, Ilha Joana Bezerra e partes da Boa Vista e Santo Amaro.
Segundo a gestão municipal, o objetivo é revitalizar o centro do Recife, estimular atividades econômicas e ampliar a presença de moradores na região. O pacote envolve intervenções urbanísticas, obras de requalificação e a gestão privada de estruturas como quiosques e espaços comerciais. Para debater a proposta, a gestão municipal promoveu uma consulta pública entre os dias 6 de outubro e 4 de novembro deste ano, além de uma audiência pública, realizada de forma online no dia 29 de outubro.
Para viabilizar a execução, o poder público
A proposta, no entanto, tem recebido críticas de parlamentares da Câmara do Recife. A vereadora Liana Cirne (PT), que compõe a base do prefeito, afirmou à coluna que o projeto pode resultar em “gentrificação e exclusão”, ao transformar áreas históricas em “um produto comercial padronizado”. Para ela, embora o plano invoque requalificação urbana, “entrega à iniciativa privada a gestão cotidiana de áreas públicas, inclusive de quiosques, imóveis e publicidade, enquanto o poder público assume os maiores riscos, custos e desapropriações”.
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Ver todasLiana também disse que o plano não enfrenta o déficit habitacional do centro, pois prevê moradias com valores acima da média da cidade, destinadas a famílias com renda entre R$ 4,7 mil e R$ 12 mil. Segundo a vereadora, o desenho atual do projeto não garante a permanência de ambulantes e desconsidera o papel histórico do comércio popular.
A parlamentar ainda criticou a reformulação de áreas simbólicas, como a Praça do Diário e a Avenida Dantas Barreto, afirmando que o projeto não contempla dinâmicas sociais existentes, nem a presença de pessoas em situação de rua e organizações sociais que atuam na região. Para ela, a proposta “fere a função social da cidade e privilegia interesses privados em detrimento do direito coletivo à moradia, ao trabalho e à vida urbana”.
A Prefeitura do Recife ainda não detalhou o cronograma de execução nem os possíveis impactos na reorganização do comércio e da circulação no centro da cidade.










