Paulo Cappelli

Fabricante nacional critica Marinha por comprar fuzis dos EUA

CEO da Taurus, maior fabricante de armas da América Latina, diz que compra de 140 fuzis de empresa dos EUA prejudica a indústria nacional

atualizado

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Reprodução / Depto de Defesa EUA
Fuzis Marinha
1 de 1 Fuzis Marinha - Foto: Reprodução / Depto de Defesa EUA

Maior fabricante de armas leves e táticas da América Latina, a brasileira Taurus criticou a compra de 140 fuzis da Colt’s Manufacturing Company LLC pela Marinha do Brasil. A aquisição, feita em novembro e noticiada pela coluna, custou R$ 1,3 milhão e ocorreu por dispensa de licitação, ou seja, sem disputa de preços entre as indústrias de armamentos.

Em nota enviada à coluna, o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, destacou que a empresa fabrica um fuzil da mesma classe que o Colt M4 Carbine R0979BN, calibre 5,56 mm, adquirido pela Marinha brasileira da fabricante norte-americana.

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Fuzis M4 comprados pela Marinha substituíram o M16 nos EUA
Fuzis comprados pela Marinha são usados por forças militares de 60 países
Marinha comprou 140 fuzis de fabricante dos EUA
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Marinha comprou 140 fuzis de fabricante dos EUA

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Fuzis M4 comprados pela Marinha substituíram o M16 nos EUA
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Fuzis M4 comprados pela Marinha substituíram o M16 nos EUA

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Fuzis comprados pela Marinha são usados por forças militares de 60 países
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Fuzis comprados pela Marinha são usados por forças militares de 60 países

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“A Taurus fabrica no Brasil, desde 2017, o Fuzil T4 Taurus, com tecnologia própria, adotada por diversas forças nacionais e já exportada para vários países. Nesse período, aproximadamente 100 mil unidades do modelo foram produzidas no parque industrial da empresa em São Leopoldo (RS), reforçando a capacidade tecnológica e industrial brasileira no segmento de defesa”, diz Nuhs.

Para o empresário, a aquisição do equipamento com uma empresa estrangeira representa prejuízo à indústria nacional e reduz a competitividade do setor no cenário internacional.

“A empresa entende como incoerente e prejudicial à indústria nacional que, no atual cenário em que os Estados Unidos impõem tarifas de aproximadamente 50% sobre produtos brasileiros exportados por empresas do setor, o Brasil opte pela importação de armamentos norte-americanos”, afirma o presidente da Taurus.

Para a dispensa de licitação, a Marinha usou o argumento da Lei nº 14.133/2021, chamada Lei de Licitações, que afirma que o certame não é necessário na aquisição de material para as Forças Armadas “quando houver necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres”.

Presença no mercado

A empresa foi criada em 1939 e atualmente é responsável pela produção de pistolas, revólveres, armas táticas, armas longas e acessórios, como capacetes e coletes balísticos. A Taurus possui uma fábrica nos EUA e forte presença no mercado internacional, exportando armamentos para mais de 40 países.

Leia abaixo a íntegra da nota da Taurus enviada à coluna:

“Em relação à matéria publicada sobre a aquisição de fuzis pelo Governo Brasileiro – Marinha do Brasil – junto a fornecedor norte-americano, a Taurus esclarece que existe produção nacional de armamento da mesma classe no país.

A Taurus fabrica no Brasil, desde 2017, o Fuzil T4 Taurus, com tecnologia própria, adotada por diversas forças nacionais e já exportada para vários países. Nesse período, aproximadamente 100 mil unidades do modelo foram produzidas no parque industrial da empresa em São Leopoldo (RS), reforçando a capacidade tecnológica e industrial brasileira no segmento de defesa.

A empresa entende como incoerente e prejudicial à indústria nacional que, no atual cenário em que os Estados Unidos impõem tarifas de aproximadamente 50% sobre produtos brasileiros exportados por empresas do setor, o Brasil opte pela importação de armamentos norte-americanos.

Tal prática representa perda de competitividade para a Base Industrial de Defesa Brasileira, setor estratégico para a soberania nacional, geração de empregos qualificados e desenvolvimento tecnológico contínuo.”

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