
Paulo CappelliColunas

EUA conclui em julho relatório que pode acarretar em sanções ao Brasil
Investigação aberta pelo governo dos EUA em julho de 2025 sobre o Pix, tarifas do etanol e desmatamento pode gerar sanções comerciais
atualizado
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A Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR) prevê concluir em julho o relatório sobre práticas comerciais brasileiras consideradas “desleais” pelo governo Trump e que podem gerar sanções ao Brasil. A investigação foi iniciada em julho de 2025 e por lei a USTR geralmente faz determinações em investigações dentro de 12 meses. Dos seis pontos em análise, três chamam especial atenção: o Pix, a produção de etanol e o aumento do desmatamento ilegal. Tais medidas, avaliam, gerariam desequilíbrio no comércio com os EUA.
As práticas também foram citadas no Relatório de Estimativa Nacional do Comércio dos EUA para 2026, sobre Barreiras ao Comércio Exterior, editado em abril. O documento destinou oito páginas às relações com o Brasil.
A investigação aberta em 2025 aponta a preocupação norte-americana com relação ao Pix usado no Brasil. O governo dos EUA avalia que o sistema criaria um “ambiente hostil” e prejudica empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos, como a Visa e a Mastercard. Da perspectiva dos EUA, o papel do Banco Central como o dono, operador e regulador do Pix constituiria uma situação desvantajosa para os serviços de pagamento eletrônicos norte-americanos que competem diretamente com o Pix.
Etanol
Outro ponto crucial do relatório trata da produção de etanol anidro no Brasil. O governo dos EUA aponta uma cobrança de tarifas excessivas que virtualmente zeraram as exportações americanas de etanol ao Brasil, que caíram de um valor de US$ 761 milhões em 2018 a US$ 54 milhões em 2024. Em 2024, os EUA foram destino por 47% de todo o etanol anidro exportado pelo Brasil. Segundo o governo Trump, desde 2017 houve um aumento significativo na tarifa de importação.
O volume de desmatamento ilegal também é alvo de investigação da USTR. O governo Trump aponta que o Brasil não consegue aplicar a legislação contra o desmatamento, prática que, segundo o órgão norte-americano, prejudicaria produtores de madeira e agricultores dos EUA.
Seção 301
Os demais pontos levantados pela USTR se referem a falhas na fiscalização anticorrupção no Brasil, com ausência de medidas efetivas; omissão do governo brasileiro na proteção de direitos de propriedade intelectual, atingindo empresas de tecnologia e criatividade norte-americanas; e a suposta aplicação de tarifas mais baixas, pelo Brasil, a países concorrentes, afetando as exportações dos EUA.
O relatório da investigação a ser divulgado pela USTR em julho pode sugerir a adoção de tarifas ou restrições de importação, como a tarifa de 40% imposta por Donald Trump em agosto de 2025 e revertida após negociação com o governo brasileiro. As medidas têm base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, ferramenta usada para defender interesses norte-americanos contra práticas comerciais consideradas injustas ou que restrinjam o comércio com outros países.





