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Paulo Cappelli

Documento expõe propina em Brasília para fraudar INSS: "Comissão BSB"

Ministério Público Federal encontrou documento em celular de mulher presa em operação; coluna teve acesso ao relatório de investigação

18/03/2026 01:15, atualizado 18/03/2026 11:44
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Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Vista do Congresso Nacional com Palácio do Planalto em primeiro plano Metrópoles

Uma investigação do Ministério Público Federal revela que os desvios de mais de R$ 451 milhões do INSS no Ceará só foram viáveis devido ao pagamento sistemático de propinas a autoridades e servidores em Brasília, garantindo a manutenção de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. A coluna teve acesso ao relatório que mapeou o documento intitulado “Comissão Brasília BSB”.

A informação foi peça fundamental para embasar a operação policial que, nessa terça-feira (17/3), resultou nas prisões de Natjo de Lima Pinheiro e Cecília Rodrigues Mota, bem como em medidas restritivas impostas a Valmiro de Lima Pinheiro, Aerton de Lima Pinheiro e Liduína de Lima Pinheiro.

Documento expõe propina em Brasília para fraudar INSS: “Comissão BSB” - destaque galeria
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Natjo atuou em conjunto com cúmplices para desviar recursos do INSS, avalia PF
Documento apontou esquema no INSS
Documento apontou esquema no INSS
Natjo de Lima foi preso no âmbito de investigação da Farra do INSS
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Natjo de Lima foi preso no âmbito de investigação da Farra do INSS

Arte Metropoles / Instagram / PF
Natjo atuou em conjunto com cúmplices para desviar recursos do INSS, avalia PF
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Natjo atuou em conjunto com cúmplices para desviar recursos do INSS, avalia PF

Reprodução/Web
Documento apontou esquema no INSS
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Documento apontou esquema no INSS

Reprodução/Web
Documento apontou esquema no INSS
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Documento apontou esquema no INSS

Reprodução

As provas que conectam o grupo ao núcleo do poder na capital federal foram extraídas de comunicações no WhatsApp de Cecília Rodrigues Mota, ex-dirigente das associações Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). O material indica repasses financeiros a funcionários públicos, evidenciando que a “Comissão Brasília” funcionava como uma espécie de blindagem política e administrativa.

Essa estrutura tinha como objetivo central assegurar que as associações continuassem operando sem bloqueios no sistema Dataprev, utilizando-se de empresas de fachada e laranjas sem capacidade financeira para ocultar os reais beneficiários do dinheiro desviado e dificultar o rastreio por órgãos de controle.

Delação premiada

Embora o foco inicial das investigações tenha sido o Ceará, o documento demonstra que os tentáculos da organização alcançavam o núcleo decisório em Brasília. A força-tarefa entre o Ministério Público Federal e a Polícia Federal aponta que as associações de aposentados atuavam de forma integrada e estratégica, com um constante revezamento de dirigentes para confundir as autoridades.

Diante das informações, o STF não apenas autorizou as prisões como também determinou o bloqueio total de bens e a quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos, rejeitando pedidos da defesa para anular as provas colhidas.

Com Natjo Lima Pinheiro e seus familiares e sócios na mira da Justiça, a expectativa agora recai sobre a análise do material apreendido e os possíveis acordos de delação premiada, que podem revelar novos nomes de agentes públicos ligados à engrenagem de corrupção instalada na capital do país.

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