
Paulo CappelliColunas

Deputadas de oposição protocolam projeto contra posse de Erika Hilton
Projeto que altera regimento interno da Câmara busca impedir posse da deputada Erika Hilton na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
atualizado
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Vinte e oito deputadas de oposição protocolaram um projeto que altera o regimento interno da Câmara e, na vissão do grupo, impede a deputada Erika Hilton (PSol) de assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. A proposta prevê que a presidência e as vice-presidências da comissão sejam ocupadas “por deputadas do sexo feminino, indicadas pelos líderes partidários a que forem destinadas as respectivas vagas”.
O projeto cita outros órgãos e funções da Câmara que já são “geridos exclusivamente por mulheres”, a exemplo da Procuradoria da Mulher, da Coordenadoria dos Direitos da Mulher e do Comitê de Defesa da Mulher contra Assédio Moral ou Sexual.
“As deputadas, de forma contundente e uníssona, manifestaram o entendimento de que o cargo deve ser ocupado por mulheres — mulheres biológicas, que carregam consigo a vivência feminina desde o nascimento e que, portanto, possuem a legitimidade inquestionável para defender as bandeiras das mulheres que de fato sentem, em seu cotidiano, as agruras e os desafios da condição feminina”, sustentam.
A deputada Rosângela Moro (União Brasil) também protocolou uma moção de repúdio contra a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. De acordo com ela, um abaixo-assinado contra a posse de Erika Hilton no colegiado já recebeu mais de 100 mil assinaturas.
Erika Hilton se manifesta
Erika Hilton foi eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na quarta-feira (11/3). Ela foi a primeira mulher transgênero escolhida para comandar o colegiado.
“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país”, afirmou a deputada após a votação.
“Vamos aqui discutir projetos, vamos aqui discutir a vida das mulheres, vamos aqui lembrar sim que, queira ou não queira, mulheres e trans e travestis não serão abandonadas nessa discussão e não me importa a vontade de quem quer que seja”, disse.





