
Paulo CappelliColunas

CGU emite 35 mil alertas de indícios de irregularidades na gestão Lula
Ferramentas de análise preditiva da CGU geraram 34.733 alertas de indícios de irregularidades em editais e processos licitatórios
atualizado
Compartilhar notícia

A Controladoria-Geral da União (CGU) registrou 34.733 alertas de indícios de irregularidades em editais e processos licitatórios da administração pública federal durante o governo Lula, no período de 1º de janeiro de 2023 a 5 de fevereiro de 2026. Segundo o órgão, os dados foram gerados por ferramentas preditivas de análise e inteligência artificial, mas que dependem de validação individual pelas equipes de auditoria.
Em documento obtido via Lei de Acesso à Informação pela coluna junto à própria CGU, o órgão esclareceu que, do total de alertas, 729 resultaram na abertura de trabalhos de auditoria, concluídos ou em andamento. No âmbito dessas apurações, foram realizadas 1.523 comunicações formais aos gestores responsáveis, que podem incluir notificações, solicitações de informação e recomendações de adoção de medidas saneadoras.
O órgão destacou, porém, que “não há estruturação de dados nos sistemas internos que permita correlacionar automaticamente cada alerta ao respectivo desfecho específico”, como suspensão, cancelamento de editais ou encaminhamento a órgãos externos. De acordo com a CGU, o conteúdo das recomendações varia conforme o caso concreto.
A Controladoria informou ainda que a obtenção do número exato de alertas que resultaram em medidas específicas exigiria “análise manual e individualizada do teor de cada trabalho de auditoria e de cada comunicação realizada”, o que caracterizaria trabalho adicional de consolidação de dados, nos termos do Decreto nº 7.724, de 2012.
Sobre quantos alertas levaram à abertura formal de investigações ou ao envio de informações à Polícia Federal ou ao Ministério Público Federal, a CGU declarou que também não dispõe de base de dados estruturada para esse levantamento, reiterando que seria necessário examinar individualmente os processos.
A resposta registra ainda que os 729 trabalhos mencionados se referem exclusivamente à atuação da CGU e não incluem apurações conduzidas por unidades de auditoria interna governamentais, que também recebem os alertas e acompanham processos licitatórios internos.
Manifestação da CGU
Após a publicação da reportagem, a CGU entrou em contrato com a coluna e enviou a seguinte nota:
“A Controladoria-Geral da União (CGU) esclarece que os dados mencionados na reportagem CGU emite 35 mil alertas de indícios de irregularidades na gestão Lula, do Portal Metrópoles, não tratam de irregularidades, nem podem ser interpretados como evidência de desvios de recursos públicos. Os números referem-se a alertas preventivos gerados pelo ALICE (Analisador de Licitações, Contratos e Editais), ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela CGU para prevenção e proteção do uso dos recursos públicos.
A ferramenta identifica, de forma antecipada, indícios de inconsistências ou riscos em processos licitatórios, permitindo a adoção de medidas corretivas antes da conclusão das contratações. Portanto, é um instrumento de aprimoramento da gestão pública e não de confirmação de irregularidades ou evidência de desvio de recursos.
Os alertas são sinais automatizados de risco que demandam análise técnica e, na ampla maioria dos casos, resultam em ajustes administrativos ou esclarecimentos, sem configuração de irregularidade. Vale esclarecer, ainda, que o número de alertas não corresponde ao número de licitações ou processos de compra que podem ter sido objeto de alerta, uma vez que um processo pode conter mais de um alerta.
Nos últimos anos, a CGU ampliou significativamente a capacidade analítica do sistema, incorporando novas bases de dados, modelos e parâmetros de risco, o que aumenta a sensibilidade da ferramenta e a capacidade de detecção precoce.”





