
Paulo CappelliColunas

FAB precisou de verba de última hora para manter programas militares
Relatório mostra que recursos só foram liberados no fim de dezembro, após retirada do teto, evitando paralisação de programas da FAB
atualizado
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A Força Aérea Brasileira (FAB) só conseguiu manter em funcionamento seus principais programas militares em 2025 após retirar esses projetos das regras fiscais usuais. Segundo documento obtido pela coluna, a adoção de um regime excepcional permitiu a liberação de recursos no fim do ano e evitou a paralisação de contratos estratégicos da Aeronáutica.
A mudança ocorreu após a promulgação da Lei Complementar nº 221, em novembro de 2025, que autorizou o Poder Executivo, por até seis anos, a excluir da meta fiscal e do teto de gastos despesas com projetos estratégicos de defesa, até o menor valor entre a dotação do PAC Defesa e R$ 5 bilhões por ano. Para 2025, a lei permitiu a exclusão de até 60% desse limite, condicionou os gastos à categoria de investimentos e priorizou a Base Industrial de Defesa.
De acordo com o relatório, o orçamento aprovado para 2025 não foi suficiente para cobrir todas as etapas dos contratos em execução. No documento, a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate registra que, no início daquele ano, as restrições fiscais e a demora na liberação dos recursos comprometeram a execução regular dos projetos.
“O montante orçamentário inicialmente previsto na LOA, para o ano de 2025, ficou abaixo do planejamento necessário para o pagamento de todas as etapas contratuais dos projetos da COPAC”, afirma o colegiado.
Diante do cenário, os responsáveis relatam que foi necessário renegociar contratos e ajustar cronogramas para adequar os compromissos à disponibilidade financeira. A comissão aponta que a situação começou a ser revertida apenas após a aprovação da lei que criou um tratamento diferenciado para programas estratégicos de defesa.
Com a nova regra, passaram a ficar fora das limitações fiscais os recursos destinados aos programas KC-390, FX-2, que envolve os caças Gripen, e aos programas de helicópteros HX-BR e TH-X. Ainda assim, segundo o documento, a liberação efetiva ocorreu somente na segunda quinzena de dezembro de 2025, às vésperas do encerramento do exercício fiscal.
O relatório registra que o repasse tardio permitiu quitar etapas pendentes e evitar a interrupção dos projetos. Entre os resultados, a comissão destaca o recebimento da última aeronave prevista no contrato do programa HX-BR.
No balanço final, a COPAC informa que os programas sob sua coordenação envolvem investimentos elevados e prazos longos, o que exige previsibilidade orçamentária. Em 2025, conforme o documento, essa estabilidade só foi alcançada após a alteração das regras fiscais no fim do ano.







