
Mirelle PinheiroColunas

Vorcaro ficará isolado por 20 dias em presídio de Brasília. Veja cela. Vídeo
O preso estava custodiado na Penitenciária II de Potim, em São Paulo, e foi transferido para o Presídio Federal nesta sexta (6/3)
atualizado
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Após ser transferido para a Penitenciária Federal de Brasília nesta sexta-feira (6/3), o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, operador do Banco Master, permanecerá isolado por pelo menos 20 dias em uma cela de inclusão.
Nesse período, os policiais penais federais vão apresentar a rotina da unidade ao custodiado e realizarão a entrega de documento impresso contendo todos os direitos e deveres.
Ele também receberá livros, além de um kit com uniformes (bermuda ou calça, camiseta, blusa de frio e calçado) e materiais de higiene pessoal, como escova e creme dental, sabonete, desodorante e toalha.
Ainda durante o período de inclusão, a equipe de especialistas federais em Assistência à Execução Penal e técnicos federais de Apoio à Execução Penal do SPF realizarão a avaliação do quadro clínico de Vorcaro, a fim de identificar eventuais necessidades de atendimentos específicos, como restrições alimentares, uso de medicações ou realização de exames laboratoriais.
Segundo a Polícia Federal, os procedimentos de saúde também garantem a continuidade de tratamentos que o custodiado eventualmente já realizava antes de chegar à unidade federal.
Cela definitiva
Após os trâmites, Vorcaro será encaminhado para uma cela definitiva, que possui aproximadamente seis metros quadrados e é equipada com cama, sanitário, pia, chuveiro, mesa, assento e roupa de cama.
No local, não há tomadas elétricas, e a energia do chuveiro e das lâmpadas é ativada e desativada em horários previamente determinados.
Vorcaro terá direito a duas horas diárias de banho de sol e receberá seis refeições por dia, além de ter acesso a todas as assistências previstas na Lei de Execução Penal, incluindo atendimentos de saúde e assistência jurídica.
Visitas e atendimento com o advogado
As visitas sociais e os atendimentos com advogados ocorrerão em parlatório, com monitoramento e controle conforme os protocolos de segurança do Sistema Penitenciário Federal.
Na cela onde ele ficará não há televisão, rádio ou qualquer forma de comunicação externa direta.
O que motivou a prisão de Vorcaro
A nova prisão preventiva do banqueiro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF apontar indícios de que ele teria atuado para interferir nas investigações sobre supostas fraudes financeiras ligadas à instituição. Ele teria montado uma estrutura paralela que funcionaria como uma “milícia privada”, segundo a PF.
De acordo com a PF, análises feitas em celulares apreendidos revelaram conversas que indicariam a articulação de ações contra pessoas consideradas adversárias do banqueiro, entre elas testemunhas e envolvidos nas apurações.
Os investigadores afirmam que Vorcaro utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, monitorar adversários e intimidar pessoas que contrariavam seus interesses. As informações constam em materiais extraídos em operações anteriores.
Em uma das mensagens, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes, apelidado de “Sicário” e apontado pela PF como responsável por levantar essas informações.
O núcleo informal integrava um grupo de WhatsApp conhecido como “A Turma” que, segundo a PF, funcionava como um braço operacional da organização criminosa investigada por fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
Para a PF, o conteúdo encontrado sugere uma tentativa de pressionar ou intimidar pessoas ligadas ao caso, o que poderia comprometer o andamento das investigações.
Obstrução da Justiça
A Polícia Federal sustenta que essas movimentações reforçam o risco de obstrução da Justiça, o que motivou o pedido de prisão preventiva.
Além disso, a nova fase da operação investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídas a integrantes do grupo investigado.













