
Mirelle PinheiroColunas

Vorcaro se irritou com atraso de propina para Ciro Nogueira: “Resolve isso pra mim”
A decisão afirma que o primo de Vorcaro era responsável por executar movimentações financeiras e societárias relacionadas ao esquema
atualizado
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A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7/5), detalha conversas em que o banqueiro Daniel Vorcaro cobra a manutenção de pagamentos mensais ligados ao senador Ciro Nogueira.
Segundo a Polícia Federal (PF), os repasses eram operacionalizados por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado pelos investigadores como integrante do “núcleo financeiro-operacional” da suposta organização criminosa investigada no caso Banco Master.
A decisão afirma que Felipe era responsável por executar movimentações financeiras e societárias relacionadas ao esquema – entre as quais, pagamentos mensais ligados à chamada “parceria BRGD/CNLF”, apontada pela PF como mecanismo usado para destinar recursos ao senador.
De acordo com a investigação, os repasses começaram em R$ 300 mil mensais e teriam sido posteriormente elevados para R$ 500 mil.
As mensagens reproduzidas na decisão mostram Felipe questionando Daniel Vorcaro sobre a continuidade dos pagamentos.
Em 25 de julho de 2024, Felipe escreveu: “Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”. Daniel Vorcaro respondeu: “Sim”. Na sequência, Felipe respondeu: “Ok”.
Meses depois, em janeiro de 2025, Felipe voltou a relatar dificuldades financeiras para manter os repasses. Segundo a decisão, ele afirmou: “Oi, pode continuar enviando o recurso pro parceiro brgd? Estou tendo que aportar muito la todo mes por causa do btg”.
Vorcaro respondeu: “Tem que enviar muito importante”. E acrescentou: “Se precisar coloco algo”.
A PF afirma que as mensagens indicam que Daniel Vorcaro insistia na continuidade dos pagamentos mesmo diante das dificuldades financeiras relatadas pelo primo.
O trecho mais sensível da decisão aparece em diálogos de junho de 2025, quando Daniel Vorcaro reclama diretamente do atraso nos repasses destinados, segundo a investigação, ao senador Ciro Nogueira.
Na conversa, Daniel Vorcaro escreveu: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”. Felipe respondeu: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”.
Para a PF, o diálogo reforça indícios de que os pagamentos periódicos continuavam ativos e teriam sido ampliados de R$ 300 mil para R$ 500 mil mensais.
A investigação também aponta que a BRGD S.A., empresa ligada à família Vorcaro e que tinha como diretor Oscar Vorcaro, pai de Felipe, seria uma das fontes dos recursos movimentados no esquema.
Segundo a decisão, a PF sustenta que a empresa foi usada para viabilizar pagamentos mensais ao senador por intermédio da chamada “parceria BRGD/CNLF”, considerada pelos investigadores uma engrenagem financeira voltada à circulação dos recursos.
A quinta fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quinta-feira (7/5) e mira suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master, empresários e agentes políticos.






















