Mirelle Pinheiro

PF aponta “manual” de ocultação de provas em esquema do Banco Master

Segundo a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam uma atuação coordenada voltada à dissimulação patrimonial

atualizado

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Daniel Vorcaro CPMI STF
1 de 1 Daniel Vorcaro CPMI STF - Foto: Reprodução/ YouTube

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero descreve o que investigadores classificaram como uma estrutura sofisticada de ocultação de documentos, pagamentos e movimentações financeiras supostamente ligadas ao núcleo investigado no caso Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, mensagens e documentos apreendidos indicam a existência de estratégias para evitar que operações e interlocuções fossem associadas diretamente aos envolvidos ou ao próprio banco.

A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (7/5) e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Entre os elementos destacados pela PF está uma troca de mensagens atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo a retirada de documentos da residência de um parlamentar.

Na decisão, o ministro André Mendonça reproduz trecho em que há orientação expressa para que “o motorista não consiga vincular o transporte do documento ao parlamentar”. A mensagem também determinava que “o envelope utilizado não faça referência ao Banco MASTER”.

Para os investigadores, as orientações revelariam uma preocupação em impedir rastreamento da origem dos documentos e dificultar eventual associação entre o material transportado, o banco e agentes políticos.

A PF também aponta que os investigados utilizariam mecanismos informais para realizar operações societárias sem registro imediato em documentos oficiais.

Um dos exemplos citados na decisão é a utilização de “contrato de gaveta” para aquisição de ações relacionadas à Trinity Participações. Segundo a investigação, o mecanismo teria sido utilizado para contornar restrições previstas em acordo de acionistas da empresa.

Ainda conforme o documento, a estratégia permitiria a realização das operações “sem que a operação ingressasse no radar de eventuais mecanismos de fiscalização”.

Os investigadores afirmam que a suposta organização utilizava estruturas empresariais paralelas, pessoas interpostas e contratos não formalizados imediatamente para ocultar movimentações financeiras e dificultar a atuação de órgãos de controle.

A decisão do STF também menciona o uso de empresas ligadas ao grupo para operacionalizar pagamentos, repasses financeiros e reorganizações societárias consideradas suspeitas pela PF.

Segundo a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam uma atuação coordenada voltada à dissimulação patrimonial e à blindagem de operações financeiras potencialmente irregulares.

Com base nesses indícios, o ministro André Mendonça autorizou medidas cautelares, buscas, bloqueio de bens e prisões temporárias no âmbito da nova fase da Compliance Zero.

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