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Mirelle Pinheiro

TCP é alvo de operação por impor monopólio ilegal de internet no Rio

Investigação aponta que facção ameaçava técnicos, cortava cabos e expulsava empresas regulares de comunidade na Ilha do Governador

01/09/2026 07:27
Reprodução
Imagem colorida de pichação da facção TCP - Metrópoles

A Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), deflagrou, nesta terça-feira (1º/9), a Operação Sinal Livre para combater um esquema de exploração clandestina de serviços de internet ligado ao crime organizado na comunidade Boogie Woogie, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.

As investigações revelaram que a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) impunha um monopólio sobre o fornecimento de internet, expulsava empresas regulares e transformava moradores em consumidores cativos.

De acordo com as apurações, dois provedores de internet são investigados por supostamente atuar em associação com integrantes do TCP para estabelecer um verdadeiro monopólio criminoso sobre o fornecimento do serviço, impedindo que empresas regularmente autorizadas prestassem atendimento à população.

A investigação revelou ainda que técnicos de grandes operadoras de telecomunicações eram ameaçados e impedidos de entrar na comunidade para instalar, reparar ou realizar a manutenção das redes. Em paralelo, criminosos cortavam cabos, vandalizavam equipamentos e danificavam estruturas das concessionárias.

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Estrutura criminosa

A DDSD identificou registros relacionados a esse tipo de ocorrência na região desde pelo menos 2022. Com as redes das operadoras regulares danificadas e seus funcionários impedidos de trabalhar, os moradores ficavam com opções cada vez mais restritas para contratar o serviço.

Dessa forma, o controle exercido pelo crime organizado sobre o território era convertido em vantagem econômica para provedores que conseguiam atuar na região e que, segundo as investigações, teriam relação com a facção. Além disso, essas estruturas utilizavam cabos e equipamentos pertencentes às concessionárias legais. Os materiais seriam destinados ao uso operacional e não são regularmente comercializados.

O modus operandi

O trabalho investigativo resultou na identificação de três homens apontados como integrantes de diferentes níveis da estrutura criminosa. Um deles seria responsável por um dos provedores; outro atuaria na administração de outras duas empresas de internet; e o terceiro é apontado como responsável por impedir diretamente a atuação de técnicos das concessionárias.

Operação

Os investigadores buscam cumprir oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos de envolvimento no esquema.

As diligências também têm como objetivo apurar episódios nos quais uma das empresas provedoras teria sido beneficiada pelo afastamento coercitivo de concorrentes. Entre os fatos analisados está o relato de que a administração de um condomínio da região teria sido obrigada a aceitar o fornecimento de internet da empresa após funcionários comparecerem ao local acompanhados por traficantes e mediante ameaças.

A ação apura, até o momento, possíveis crimes de receptação, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção ou perturbação de serviço de telecomunicação e associação criminosa.

As investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido, identificar outros integrantes da estrutura e aprofundar a apuração sobre a atuação dos provedores e seus possíveis vínculos com o crime organizado.