MPE pede rastreamento do IP usado para alterar filiação de Flávio Bolsonaro
Além de se manifestar favoravelmente ao pedido da PF, o MPE defendeu que os dados técnicos obtidos do TSE sejam mantidos sob sigilo parcial

A coluna apurou que o Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou favoravelmente ao pedido da Polícia Federal (PF) para obter os registros de acesso e o IP usado para alterar a filiação partidária do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida pode ajudar a PF a identificar quem fez a mudança que registrou a filiação do político ao Partido Missão, o que resultou em sua desfiliação do Partido Liberal (PL).
A solicitação foi feita no âmbito do inquérito da PF que apura uma possível alteração fraudulenta no Filia, sistema pelo qual os partidos comunicam à Justiça Eleitoral quem são seus filiados. Segundo a investigação, a mudança ocorreu entre 23h17 de 12 de agosto e 9h42 de 13 de agosto de 2026.
A PF solicitou ao TSE os registros técnicos relacionados ao lançamento questionado. Em manifestação enviada à Justiça, o MPE considerou a medida adequada e necessária para esclarecer a sequência dos acontecimentos, identificar os responsáveis e entender as circunstâncias da operação.
Entre as informações que a PF pretende obter estão os endereços IP utilizados nos acessos, identificadores de dispositivos, usuários, perfis, credenciais, sessões e o histórico das alterações feitas no cadastro de filiação partidária.
O objetivo é usar os registros técnicos para reconstruir o passo a passo da mudança no registro e chegar à autoria da alteração.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroSigilo parcial
O procedimento tramita atualmente sem segredo de Justiça, mas, no documento acessado pela coluna, o MPE defendeu que os dados técnicos fornecidos pelo TSE sejam mantidos sob sigilo parcial.
A medida deverá abranger informações como IPs, identificadores de usuários e dispositivos, credenciais, metadados e relatórios técnicos, devido à possibilidade de exposição de dados pessoais e informações relacionadas à segurança do sistema Filia.
Entenda o caso
Flávio Bolsonaro teria sido desfiliado do partido na noite do dia 12 de agosto e filiado, sem sua autorização, ao Missão.
A mudança só foi descoberta pelo senador na manhã do dia seguinte, quando a equipe jurídica de sua campanha tentou registrar a candidatura dele a presidente.
Após o caso ser denunciado às autoridades, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou o restabelecimento do vínculo partidário de Flávio Bolsonaro com o PL, a liberação do Sistema Candex para registro de candidatura e a preservação dos registros de acesso ao Filia. Também requisitou a instauração de inquérito policial para apurar os fatos.





