
Mirelle PinheiroColunas

Saiba quem é o vereador preso por ligação com líderes do CV no Rio
Investigações apontam que o CV teria autorizado o político a atuar na Gardênia Azul, a partir de uma suposta troca de favores
atualizado
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A coluna apurou, com exclusividade, que o vereador preso durante a megaoperação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), deflagrada contra o Comando Vermelho (CV) nesta quarta-feira (11/3), é Salvino de Oliveira Barbosa (PSD). Ele também foi secretário na terceira gestão do prefeito Eduardo Paes entre janeiro de 2021 e abril de 2024.
Investigações apontam que o vereador, que atua na Câmara Municipal do Rio, teria recebido autorização de lideranças do tráfico para atuar politicamente na comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste da capital.
Nascido e criado na Cidade de Deus, o vereador, que tem 28 anos, é formado em Gestão Pública pela Universidade Federal do RJ.
Em 2021, aos 22 anos, foi considerado o secretário municipal mais jovem, à frente da Secretaria da Juventude. Este é o seu primeiro mandato.
A investigação
Indícios da suposta parceria ilícita foram anexados no inquérito conduzido pelos delegados Pedro Cassundé e Vinicius Miranda de Moraes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), que investiga a estrutura de poder da facção e suas conexões com agentes públicos.
De acordo com os diálogos telemáticos analisados pela polícia, Elder de Lima Landim, conhecido como “Dom”, administrador local da comunidade e ligado ao CV, teria informado ao traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha, que o parlamentar possuía “autorização prévia” para trabalhar na região.
Segundo a conversa registrada no inquérito, a autorização teria sido atribuída ao próprio Doca e a Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como tesoureiro da facção.
Ainda conforme a investigação, o acordo previa que o vereador poderia atuar na comunidade e receber “suporte” para seus projetos políticos.
Troca de favores
Para os investigadores, o diálogo sugere um possível arranjo de troca de favores entre o crime organizado e o político.
Nesse cenário, o Comando Vermelho manteria seu domínio territorial sobre a comunidade, oferecendo apoio logístico, controle social e influência local.
Em contrapartida, o político poderia obter capital eleitoral dentro da região, com direcionamento de votos e fortalecimento de sua base.
A polícia aponta que esse tipo de articulação pode resultar na formação de “currais eleitorais” controlados por organizações criminosas, com influência direta no comportamento político das comunidades.




