Mirelle Pinheiro

Estatuto do CV tem presidente, tesoureiro e “diretor de conflitos”

A investigação identificou os integrantes do chamado Conselho Permanente do Comando Vermelho (CV)

atualizado

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1 de 1 tesoureiro-do-cv - Foto: Arte/Metrópoles

A megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (11/3), contra o Comando Vermelho (CV) mostrou, pela primeira vez, o estatuto interno da facção com cargos, regras e estrutura de governança semelhantes às de uma organização formal.

De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), o documento estabelece conselhos deliberativos, funções hierárquicas, procedimentos decisórios e até um regime disciplinar para integrantes da facção.

O estatuto foi identificado após a análise de diálogos telemáticos atribuídos ao traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca da Penha ou Paraíba, apontado como um dos principais líderes da organização no Rio de Janeiro.

Segundo o inquérito, o documento foi enviado por Doca a um interlocutor identificado como “São Paulo”, durante negociações de paz entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), em fevereiro de 2025.

Cúpula da organização

A investigação identificou os integrantes do chamado Conselho Permanente do Comando Vermelho, órgão responsável por decisões estratégicas dentro da facção.

Segundo o inquérito, a estrutura seria composta por:

  • Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como presidente do conselho e preso em presídio federal;
  • Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, citado como conselheiro;
  • Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, responsável pela tesouraria da organização;
  • Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como My Thor, descrito como responsável pela coordenação das cadeias;
  • Edgar Alves de Andrade, o Doca, identificado como a “1ª Voz das Ruas”, função equivalente à de porta-voz da facção.

Regras e decisões internas

Segundo os investigadores, o estatuto descreve mecanismos internos de tomada de decisão dentro da organização criminosa.

Disputas territoriais, por exemplo, seriam levadas ao “conselho da facção”, onde integrantes da cúpula analisariam o caso e votariam sobre o conflito.

A gestão financeira também aparece estruturada. O inquérito afirma que Pezão administra a chamada “Caixinha da facção”, um fundo utilizado para financiar invasões territoriais, compra de armamentos e apoio a operações criminosas.

Além disso, a polícia identificou a existência de funções específicas dentro da estrutura do grupo.

Entre elas estaria um “guardião do acervo bélico e financeiro”, atribuído a Eduardo Fernandes, conhecido como “2D” ou “Macaco Russo”.

Também foi identificado um cargo descrito pelos investigadores como “diretor de governança corporativa de conflitos regionais”, ocupado por Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho ou Samuray, preso no presídio de Bangu 3.

Segundo a investigação, ele seria responsável por intermediar disputas entre facções ou grupos criminosos em diferentes estados.

Circulares para todo o país

Outro elemento identificado no inquérito é a existência de “circulares gerais” enviadas pela facção para diferentes regiões do país.

Esses documentos teriam sido distribuídos para integrantes do grupo em estados como Mato Grosso, Bahia, Ceará, Rondônia e Rio Grande do Norte.

De acordo com os investigadores, essas comunicações apresentam linguagem padronizada e orientação ideológica comum.

 

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