Mirelle Pinheiro

Saiba quais são os postos ligados ao PCC em Goiás, segundo o MP

Segundo a força-tarefa, Mohamed Mourad, operador do PCC, comandava um esquema de R$ 52 bilhões

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
fotografia colorida de bombas de gasolina
1 de 1 fotografia colorida de bombas de gasolina - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

As investigações da Operação Carbono Oculto apontaram que parte da megaestrutura financeira montada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) chegou a Goiás. De acordo com o Ministério Público, Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamed Hussein Mourad, considerado o principal operador econômico da facção, assumiu postos de combustíveis e uma distribuidora no estado, usados para lavar dinheiro e expandir os negócios da família.

Entre os empreendimentos identificados estão o Auto Posto Vini Show, em Senador Canedo; o Auto Posto Dipoco, em Catalão; o Posto Santo Antônio, em Santo Antônio do Descoberto; o Posto Futura JK, em Jataí; o Posto Futura Niquelândia, em Niquelândia; o Auto Posto Parada 85, em Goiânia; e o Auto Posto da Serra, em Morrinhos. Todos aparecem na lista de empresas utilizadas como fachada para movimentar recursos ilícitos do crime organizado.

Segundo a força-tarefa, Mohamed Mourad comandava um esquema de R$ 52 bilhões, distribuído em várias camadas empresariais que iam da importação de insumos à revenda final de combustíveis. Para dar aparência de legalidade ao negócio, ele colocava parentes à frente das companhias.

O pai, Hussein Ali Mourad, figura como sócio de distribuidoras em Paulínia e Osasco, em São Paulo; a mãe, Khadige Mourad, esteve ligada a lojas de conveniência que mais tarde foram transferidas para a filha, Amine Hussein Ali Mourad, responsável por 168 pontos de venda fechados de uma só vez em 2023.

Outros parentes também desempenharam papel central. O primo, Himad Abdallah Mourad, dirigiu uma empresa que chegou a controlar 103 postos de combustíveis e ainda figurava como sócio de fundos de investimento com saldo superior a R$ 50 milhões. Até a esposa de Mohamed, Silvana Corrêa, aparece como titular de uma previdência privada de R$ 45 milhões, valor incompatível com sua renda declarada.

Além da participação familiar, o grupo utilizava “laranjas profissionais” para blindar o patrimônio. Uma funcionária da prefeitura de Santo Amaro das Brotas, em Sergipe, que recebe pouco mais de R$ 1.400 por mês, aparecia como sócia de 18 empresas do clã Mourad. Em 2023, quase todas foram repassadas para uma vizinha dela, em mais um movimento de ocultação de bens.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada em nove estados, cumpriu 350 mandados de busca e apreensão, dez deles em Senador Canedo (GO). Bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão foram bloqueados, incluindo imóveis, caminhões e veículos de luxo. Além da lavagem bilionária, o grupo também é acusado de adulterar combustíveis com metanol, ampliando os lucros e colocando em risco os consumidores.

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