Mirelle Pinheiro

Irmão do operador do PCC controlava rede de combustíveis em Goiás

Bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão foram bloqueados, incluindo imóveis, caminhões e veículos de luxo

atualizado

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1 de 1 mourad - Foto: Reprodução/Linkedin

As investigações sobre a megaestrutura de lavagem de dinheiro montada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) mostraram que parte do esquema chegou a Goiás. Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamed Hussein Mourad (foto em destaque), considerado o principal operador financeiro da facção, assumiu postos e uma distribuidora de combustíveis no estado.

Segundo o Ministério Público, os postos são o Auto Posto Vini Show, em Senador Canedo; o Auto Posto Dipoco, em Catalão; o Posto Santo Antônio, em Santo Antônio do Descoberto; o Posto Futura JK, em Jataí; o Posto Futura Niquelândia, em Niquelândia; o Auto Posto Parada 85, em Goiânia; e o Auto Posto da Serra, em Morrinhos.

Mohamed chefiava um sistema que movimentou cerca de R$ 52 bilhões nos últimos anos, espalhando empresas por diversos estados e usando a família como fachada. O esquema começava na importação de insumos e chegava à distribuição final de combustíveis, o que dava ao grupo domínio sobre toda a cadeia.

O pai, Hussein Ali Mourad, aparece como sócio de uma distribuidora com unidades em Paulínia (SP) e Osasco (SP). A mãe, Khadige, administrava lojas de conveniência que foram transferidas para a filha, Amine Hussein Ali Mourad. Amine chegou a controlar 168 pontos de venda, fechados de uma só vez em 2023, um movimento que chamou a atenção dos investigadores.

Em Goiás, Armando ampliou o alcance da família. Já o primo, Himad Abdallah Mourad, foi identificado como um dos testas de ferro de Mohamed, dirigiu uma empresa responsável por mais de cem postos de combustíveis, foi sócio de locadora de veículos e chegou a figurar como cotista de fundos de investimento com mais de R$ 50 milhões disponíveis.

Até a esposa de Mohamed, Silvana Corrêa, entrou no esquema. Ela aparece como titular de uma previdência privada avaliada em R$ 45 milhões, valor incompatível com a renda declarada.

O uso de parentes próximos não era a única estratégia. A investigação descobriu “laranjas profissionais” no esquema. Uma funcionária da prefeitura de Santo Amaro das Brotas, em Sergipe, que recebe salário de R$ 1.428, aparecia como sócia de 18 empresas ligadas ao clã Mourad. Em 2023, quase todas foram repassadas para uma vizinha dela, reforçando a blindagem patrimonial do grupo.

Operação Carbono Oculto
A ação contra o grupo, batizada de Carbono Oculto, cumpriu 350 mandados em nove estados, incluindo Goiás. Só em Senador Canedo (GO), foram dez alvos atingidos. A força-tarefa envolveu Ministério Público de São Paulo, Ministério Público de Goiás, Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

De acordo com as apurações, além da lavagem bilionária, o grupo adulterava combustíveis com metanol, ampliando os lucros ilegais e prejudicando consumidores em todo o país. Bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão foram bloqueados, incluindo imóveis, caminhões e veículos de luxo.

A força-tarefa considera o caso a maior ação já realizada no Brasil contra o crime organizado no setor de combustíveis.

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