
Mirelle PinheiroColunas

Saiba o que é a “Padaria do PCC” e conheça o chefão do setor
O núcleo integra uma das 12 “sintonias” da facção e funciona como o coração financeiro do grupo criminoso
atualizado
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O novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), elaborado pelo Departamento de Inteligência Policial (Dipol) da Polícia Civil de São Paulo, escancara os bastidores da engrenagem criminosa que consolidou o grupo como a maior facção do país.
De acordo com o mapeamento, a estrutura é dividida em 12 “sintonias”, que são, na verdade, os núcleos responsáveis por áreas estratégicas da organização.
Entre elas está a chamada “Padaria”. Apesar do nome curioso e até engraçado, trata-se do coração financeiro da facção, que viabiliza o funcionamento de todos os outros setores.
Na “Padaria”, se concentram a arrecadação e movimentação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.
Este núcleo funciona como uma engrenagem essencial para a manutenção do poder da facção. É ali que ocorre a lavagem de dinheiro, mecanismo que permite dar aparência lícita a valores obtidos por meio do tráfico de drogas, roubos e outros crimes violentos.
O “padeiro”
No organograma, Julio Cesar Guedes De Moraes, de 53 anos, aparece como o responsável pela “Padaria”. Conhecido como Julinho Carambola, ele está detido na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO) desde março de 2023.
Condenado a mais de 168 anos de prisão, Carambola é apontado como braço direito de Marcola e um dos criminosos mais influentes na hierarquia do PCC.
Detalhes do organograma
O esquema lista mais de 100 integrantes da cúpula distribuídos nas 12 “sintonias”. Desses, 61 estão presos, muitos no sistema penitenciário federal.
Mesmo com o “Chefão” da facção preso há quase 30 anos e vários outros líderes enjaulados, o grupo mantém comando ativo com ramificações no Brasil e em pelo menos 28 países.
O grande chefe
No centro do organograma, está a Sintonia Final, considerada o comando máximo da facção. O líder segue sendo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Ao lado dele, aparecem nomes como:
- Julinho Carambola.
- Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal.
- Cláudio Barbará da Silva, o Barbará.
- Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão (único fora do sistema prisional).
O irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, figura como apoio direto da cúpula.
Abaixo desse núcleo, está a Sintonia Final do Sistema, responsável por garantir que as ordens do comando sejam cumpridas dentro das penitenciárias.
Braço digital
Uma das principais novidades identificadas pelo Dipol é a criação da Sintonia da Internet e Redes Sociais.
O setor é responsável por gerenciar comunicações online via aplicativos criptografados, controlar o uso de redes sociais pelos integrantes, monitorar conteúdos que possam expor a organização e manter a “unidade ideológica” da facção.
Funciona como um núcleo técnico e de comunicação, que oferece suporte digital e garante discrição nas trocas de mensagens.
Segundo a investigação, o setor seria comandado pelos presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos subordinados à Sintonia Final.
Corregedoria do PCC
Outra estrutura inédita é o chamado Setor do Raio X, descrito como uma espécie de corregedoria interna.
Sua função é fiscalizar integrantes, auditar contas dos setores, investigar condutas internas e aplicar sanções disciplinares.
O setor seria chefiado por Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.
Braço tático
A Sintonia Restrita cuida dos assuntos mais sensíveis da facção. Entre os nomes apontados, estão André Luiz Meza Costa, o Pleiba, e Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha.
Ligado a ela, há um braço tático operacional, com integrantes como André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão, e Ivan Garcia Arruda, o Degola. Este último está preso.
O núcleo atua na execução de decisões estratégicas de alto risco.
Expansão internacional
Responsável pela atuação fora de São Paulo e do Brasil, a Sintonia dos Estados e Países coordena a expansão da facção e o tráfico internacional.
Segundo estimativas do Ministério Público, o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, com atuação na América do Sul, Europa, África e Ásia.
Motor financeiro do tráfico
Voltada principalmente ao narcotráfico, a Sintonia do Progresso é descrita como o “motor de desenvolvimento interno” da facção, que visa garantir crescimento estruturado e lucrativo.
Sintonia da Rua e Sintonia Interna
A Sintonia da Rua organiza a atuação territorial, garantindo disciplina e execução das ordens no dia a dia.
Já a Sintonia Interna mantém o controle dentro do sistema prisional, considerada a “espinha dorsal operacional” nas cadeias.
O caixa da organização
A chamada Sintonia da Padaria é o setor financeiro da facção, responsável pela arrecadação e movimentação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.
Quadro dos 14 e lideranças associadas
O documento também aponta o chamado Quadro dos 14, instância deliberativa responsável por julgamentos internos e decisões disciplinares.
Entre os nomes ligados ao grupo, está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso sob acusação de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes.
Entre os associados, aparecem:
- Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho.
- Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira.
- Mohamad Hussein Mourad, o Primo, empresário investigado por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que nega ligação com a facção.
