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Mirelle Pinheiro

Saiba o que é a "Padaria do PCC" e conheça o chefão do setor

O núcleo integra uma das 12 "sintonias" da facção e funciona como o coração financeiro do grupo criminoso

19/02/2026 03:42, atualizado 19/02/2026 06:50
Saiba o que é a “Padaria do PCC” e conheça o chefão do setor
Saiba o que é a “Padaria do PCC” e conheça o chefão do setor

O novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), elaborado pelo Departamento de Inteligência Policial (Dipol) da Polícia Civil de São Paulo, escancara os bastidores da engrenagem criminosa que consolidou o grupo como a maior facção do país.

De acordo com o mapeamento, a estrutura é dividida em 12 “sintonias”, que são, na verdade, os núcleos responsáveis por áreas estratégicas da organização.

Entre elas está a chamada “Padaria”. Apesar do nome curioso e até engraçado, trata-se do coração financeiro da facção, que viabiliza o funcionamento de todos os outros setores.

Na “Padaria”, se concentram a arrecadação e movimentação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.

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Este núcleo funciona como uma engrenagem essencial para a manutenção do poder da facção. É ali que ocorre a lavagem de dinheiro, mecanismo que permite dar aparência lícita a valores obtidos por meio do tráfico de drogas, roubos e outros crimes violentos.

O “padeiro”

No organograma, Julio Cesar Guedes De Moraes, de 53 anos, aparece como o responsável pela “Padaria”. Conhecido como Julinho Carambola, ele está detido na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO) desde março de 2023.

Condenado a mais de 168 anos de prisão, Carambola é apontado como braço direito de Marcola e um dos criminosos mais influentes na hierarquia do PCC.

Detalhes do organograma

O esquema lista mais de 100 integrantes da cúpula distribuídos nas 12 “sintonias”. Desses, 61 estão presos, muitos no sistema penitenciário federal.

Mesmo com o “Chefão” da facção preso há quase 30 anos e vários outros líderes enjaulados, o grupo mantém comando ativo com ramificações no Brasil e em pelo menos 28 países.

O grande chefe

No centro do organograma, está a Sintonia Final, considerada o comando máximo da facção. O líder segue sendo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Ao lado dele, aparecem nomes como:

  •  Julinho Carambola.
  • Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal.
  • Cláudio Barbará da Silva, o Barbará.
  • Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão (único fora do sistema prisional).

O irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, figura como apoio direto da cúpula.

Abaixo desse núcleo, está a Sintonia Final do Sistema, responsável por garantir que as ordens do comando sejam cumpridas dentro das penitenciárias.

Braço digital

Uma das principais novidades identificadas pelo Dipol é a criação da Sintonia da Internet e Redes Sociais.

O setor é responsável por gerenciar comunicações online via aplicativos criptografados, controlar o uso de redes sociais pelos integrantes, monitorar conteúdos que possam expor a organização e manter a “unidade ideológica” da facção.
Funciona como um núcleo técnico e de comunicação, que oferece suporte digital e garante discrição nas trocas de mensagens.

Segundo a investigação, o setor seria comandado pelos presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos subordinados à Sintonia Final.

Corregedoria do PCC

Outra estrutura inédita é o chamado Setor do Raio X, descrito como uma espécie de corregedoria interna.

Sua função é fiscalizar integrantes, auditar contas dos setores, investigar condutas internas e aplicar sanções disciplinares.

O setor seria chefiado por Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.

Braço tático

A Sintonia Restrita cuida dos assuntos mais sensíveis da facção. Entre os nomes apontados, estão André Luiz Meza Costa, o Pleiba, e Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha.

Ligado a ela, há um braço tático operacional, com integrantes como André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão, e Ivan Garcia Arruda, o Degola. Este último está preso.

O núcleo atua na execução de decisões estratégicas de alto risco.

Expansão internacional

Responsável pela atuação fora de São Paulo e do Brasil, a Sintonia dos Estados e Países coordena a expansão da facção e o tráfico internacional.

Segundo estimativas do Ministério Público, o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, com atuação na América do Sul, Europa, África e Ásia.

Motor financeiro do tráfico

Voltada principalmente ao narcotráfico, a Sintonia do Progresso é descrita como o “motor de desenvolvimento interno” da facção, que visa garantir crescimento estruturado e lucrativo.

Sintonia da Rua e Sintonia Interna

A Sintonia da Rua organiza a atuação territorial, garantindo disciplina e execução das ordens no dia a dia.

Já a Sintonia Interna mantém o controle dentro do sistema prisional, considerada a “espinha dorsal operacional” nas cadeias.

O caixa da organização

A chamada Sintonia da Padaria é o setor financeiro da facção, responsável pela arrecadação e movimentação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.

Quadro dos 14 e lideranças associadas

O documento também aponta o chamado Quadro dos 14, instância deliberativa responsável por julgamentos internos e decisões disciplinares.

Entre os nomes ligados ao grupo, está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso sob acusação de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes.

Entre os associados, aparecem:

  • Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho.
  • Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira.
  • Mohamad Hussein Mourad, o Primo, empresário investigado por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que nega ligação com a facção.