Mirelle Pinheiro

PCC tem social media e cria “corregedoria” para vigiar integrantes

O levantamento aponta que 61 integrantes da cúpula estão presos, muitos no sistema penitenciário federal

atualizado

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PCC tem social media e cria “corregedoria” para vigiar integrantes
1 de 1 PCC tem social media e cria “corregedoria” para vigiar integrantes - Foto: Arte/Metrópoles

A Polícia Civil de São Paulo concluiu o novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), apontando uma estrutura mais sofisticada e segmentada na maior facção criminosa do país.

O documento, elaborado pelo Departamento de Inteligência Policial (Dipol), lista mais de 100 integrantes distribuídos em 12 “sintonias”, nome dado aos setores responsáveis por missões específicas, além do “Setor do Raio X”, uma espécie de corregedoria.

O levantamento aponta que 61 integrantes da cúpula estão presos, muitos no sistema penitenciário federal. Ainda assim, a organização mantém comando ativo e ramificações no Brasil e em pelo menos 28 países.

Topo da pirâmide

No centro do organograma, está a Sintonia Final, considerada o comando máximo da facção. O líder segue sendo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Ao lado dele, aparecem nomes como:

  • Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola;
  • Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal;
  • Cláudio Barbará da Silva, o Barbará; e
  • Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão (único fora do sistema prisional).

O irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, figura como apoio direto da cúpula.

Abaixo desse núcleo, está a Sintonia Final do Sistema, responsável por garantir que as ordens do comando sejam cumpridas dentro das penitenciárias.

Braço digital

Uma das principais novidades identificadas pelo Dipol é a criação da Sintonia da Internet e Redes Sociais.

O setor é responsável por gerenciar comunicações online via aplicativos criptografados, controlar o uso de redes sociais pelos integrantes, monitorar conteúdos que possam expor a organização e manter a “unidade ideológica” da facção.

Funciona como um núcleo técnico e de comunicação, que oferece suporte digital e garante discrição nas trocas de mensagens.

Segundo a investigação, o setor seria comandado pelos presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos subordinados à Sintonia Final.

Corregedoria do PCC

Outra estrutura inédita é o chamado Setor do Raio X, descrito como uma espécie de corregedoria interna.

Sua função é fiscalizar integrantes, auditar contas dos setores, investigar condutas internas e aplicar sanções disciplinares.

O setor seria chefiado por Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.

Braço tático

A Sintonia Restrita cuida dos assuntos mais sensíveis da facção. Entre os nomes apontados, estão André Luiz Meza Costa, o Pleiba, e Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha.

Ligado a ela, há um braço tático operacional, com integrantes como André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão, e Ivan Garcia Arruda, o Degola. Este último está preso.

O núcleo atua na execução de decisões estratégicas de alto risco.

Expansão internacional

Responsável pela atuação fora de São Paulo e do Brasil, a Sintonia dos Estados e Países coordena a expansão da facção e o tráfico internacional.

Segundo estimativas do Ministério Público, o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, com atuação na América do Sul, Europa, África e Ásia.

Motor financeiro do tráfico

Voltada principalmente ao narcotráfico, a Sintonia do Progresso é descrita como o “motor de desenvolvimento interno” da facção, que visa garantir crescimento estruturado e lucrativo.

Sintonia da Rua e Sintonia Interna

A Sintonia da Rua organiza a atuação territorial, garantindo disciplina e execução das ordens no dia a dia.

Já a Sintonia Interna mantém o controle dentro do sistema prisional, considerada a “espinha dorsal operacional” nas cadeias.

O caixa da organização

A chamada Sintonia da Padaria é o setor financeiro da facção, responsável pela arrecadação e movimentação de recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.

Quadro dos 14 e lideranças associadas

O documento também aponta o chamado Quadro dos 14, instância deliberativa responsável por julgamentos internos e decisões disciplinares.

Entre os nomes ligados ao grupo, está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso sob acusação de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes.

Entre os associados, aparecem:

  • Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho;
  • Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira; e
  • Mohamad Hussein Mourad, o Primo, empresário investigado por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que nega ligação com a facção.

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