Quem é o secretário preso em operação contra facção ligada ao PCC.
O secretário de Infraestrutura do município de Vitória do Jari (AP) teria desviado recursos públicos para custear ações criminosas da facção

José Diercirlei Nei de Souza (foto em destaque) é secretário municipal preso nesta terça-feira (18/11) durante a operação deflagrada pela Polícia Civil do Amapá para desarticular uma aliança criminosa formada entre a facção local Família Terror do Amapá (FTA) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O homem, que atua no cargo de Secretário de Infraestrutura do município de Vitória do Jari, foi apontado pelas investigações como facilitador do esquema, financiando a estrutura ilícita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, José Diercirlei teria recebido R$ 100 mil de uma empresa com contratos na prefeitura, documentos que estavam sob sua própria fiscalização.
A suspeita é de que parte dos recursos públicos desviados teria sido usada para custear as operações criminosas da facção.
Esquema milionário
A investigação identificou “operadores financeiros” responsáveis por movimentar valores muito acima de sua capacidade econômica.
Um deles teria movimentado mais de R$ 3,3 milhões, com repasses disfarçados entre o Amapá e o Amazonas.
A polícia afirma que esse fluxo abastecia as atividades do grupo e permitia a compra de armas, drogas e influência.
Prisões anteriores por tráfico de drogas foram o ponto de partida para a investigação e revelaram uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro, movimentação de valores por meio de laranjas e empresas de fachada, além de indícios graves de corrupção envolvendo desvio de dinheiro público.
As prisões
A ação policial, batizada de “Operação Lâmina de Prata”, foi conduzida pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e cumpriu 58 ordens judiciais nos estados do Amapá, Amazonas e Paraná.
Foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva, 35 de busca e apreensão e medidas de sequestro de bens e bloqueio de valores para atingir o patrimônio dos investigados.
A estratégia central da operação é a asfixia econômica da facção, atingindo bens, contas e fornecedores de serviços.
Entre os presos estão integrantes de alta hierarquia, incluindo líderes da ala feminina da facção e operadores logísticos responsáveis pela ponte entre o Amapá e a região de fronteira.




