
Mirelle PinheiroColunas

Quem é a delegada cotada para assumir a chefia da Polícia Civil de SC
Ulisses Gabriel anunciou, nessa quinta (19/2), que deixa o cargo para se dedicar às campanhas eleitorais. Ele concorrerá a deputado estadual
atualizado
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A coluna apurou, com fontes da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), que a delegada Michele Alves (foto em destaque), atualmente à frente do Procon Estadual, é o nome cotado para substituir Ulisses Gabriel na chefia da corporação. O delegado anunciou nessa quinta-feira (19/2) que deixa o cargo para se dedicar às campanhas eleitorais. Ele concorrerá a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL).
Michele Alves já atuou na Academia de Polícia Civil (Acadepol), como coordenadora pedagógica, e na assessoria jurídica da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da PCSC.
A delegada foi a primeira mulher a atuar na Gerência de Fiscalização de Jogos e Diversões Públicas e Produtos Controlados, além de já ter estado na Delegacia de Repressão a Roubos da Capital.
Em 2018, Michele foi titular da DPCAMI da Capital e, no ano seguinte, assumiu a Delegacia Regional de Palhoça.
Delegado envolvido em polêmica
Ulisses teve seu nome projetado nacionalmente depois do caso do cão Orelha — brutalmente espancado e morto por adolescentes em janeiro deste ano.
Ele deixará o comando da delegacia-geral após pouco mais de três anos, tendo assumido o cargo em 10 de janeiro de 2023.
No início deste mês, tornou-se alvo de um procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A apuração, conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial, tem como finalidade avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito civil, que pode resultar em medidas judiciais contra o delegado.
Segundo o Ministério Público, a iniciativa foi motivada pelo recebimento de diversas representações questionando a conduta do chefe da Polícia Civil no curso das investigações.
De acordo com o MP, a apuração busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
O foco está na possibilidade de o delegado ter revelado informações que deveriam permanecer sob sigilo, o que, em tese, poderia ter gerado beneficiamento por informação privilegiada ou colocado em risco a segurança da sociedade e do Estado.
O caso Orelha
O caso ganhou grande repercussão após o cão comunitário ser brutalmente agredido por um grupo de adolescentes. O animal foi resgatado por moradores no dia seguinte à violência, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
A Polícia Civil concluiu a investigação no dia 3 de fevereiro. No desfecho, foi solicitada a internação de um dos adolescentes, enquanto três adultos foram indiciados por coação no curso do processo, suspeitos de tentar interferir nos depoimentos. Ao todo, quatro adolescentes foram formalmente representados.
Durante a apuração, os investigadores ouviram 24 testemunhas e analisaram a conduta de oito adolescentes. Para esclarecer a dinâmica do crime e identificar os envolvidos, a polícia examinou mais de mil horas de imagens, captadas por 14 câmeras de segurança instaladas na região onde ocorreram as agressões.
Por envolver menores de idade, o procedimento tramita em segredo de Justiça, conforme informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
