Mirelle Pinheiro

Polícia mira rede que lavou R$ 116 milhões para o Comando Vermelho. Veja vídeo

Até o momento, dois suspeitos foram presos em flagrante no Mato Grosso do Sul

atualizado

metropoles.com

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PCERJ/Divulgação
Polícia investiga rede que lavou R$ 116 milhões para o Comando Vermelho
1 de 1 Polícia investiga rede que lavou R$ 116 milhões para o Comando Vermelho - Foto: PCERJ/Divulgação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta terça-feira (2/6), a Operação Riqueza Sombria contra rede suspeita de lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 116 milhões e mantinha ramificações em Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Até o momento, a polícia prendeu dois suspeitos em flagrante no Mato Grosso do Sul. Eles foram identificados como Gilmar Santos da Silva, preso em Sete Quedas, e Claudio Marteinelli Neto, capturado em Campo Grande.

A ação é conduzida pela 96ª DP (Miguel Pereira) com apoio da Core, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e das polícias civis dos estados envolvidos.

Ao todo, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em cidades dos seguintes estados: Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Investigação

As apurações tiveram início após operação realizada em julho de 2020 na comunidade do Tatão, em Anchieta, zona norte do Rio.

Na ocasião, policiais apreenderam drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e diversos comprovantes bancários.

A análise desses documentos revelou padrão de depósitos realizados em agências próximas a áreas dominadas pelo Comando Vermelho, especialmente na região do Complexo do Chapadão.

Segundo os investigadores, o grupo utilizava a técnica conhecida como “smurfing”, que consiste na realização de diversos depósitos de pequeno valor para evitar alertas dos sistemas de controle financeiro.

Dinheiro saía do Rio e seguia para a fronteira

De acordo com a investigação, os recursos obtidos com a venda de drogas no Rio eram pulverizados em dezenas de contas bancárias de pessoas físicas e empresas de fachada.

Posteriormente, o dinheiro era redistribuído por meio de uma complexa rede financeira para dificultar o rastreamento da origem criminosa dos valores.

Relatórios de Inteligência Financeira identificaram que parte significativa dos recursos tinha como destino o município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul.

A cidade fica na região de fronteira com o Paraguai e é considerada estratégica para a entrada de cocaína, maconha e armamentos no território brasileiro.

Segundo o Ministério Público, a conexão entre o Rio de Janeiro e Sete Quedas chamou a atenção porque reproduz a própria rota logística utilizada pelo tráfico internacional.

Nesse percurso, drogas entram no Brasil pela fronteira sul-mato-grossense e seguem para centros consumidores como o Rio de Janeiro. Agora, a investigação aponta que o caminho inverso também era utilizado para a circulação do dinheiro obtido com a venda dos entorpecentes.

Renda incompatível

Os investigadores identificaram que diversos beneficiários dos depósitos declaravam baixa renda, mas movimentavam valores incompatíveis com sua condição financeira.

Um dos alvos, por exemplo, recebeu 54 depósitos em espécie que somaram quase R$ 68 mil em um período de quatro anos.

No total, a investigação aponta movimentação superior a R$ 116,6 milhões entre os anos de 2017 e 2021, com crescimento expressivo das operações financeiras a partir de 2019.

 

 

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