
Mirelle PinheiroColunas

Polícia investiga fraude em testamento bilionário de empresário no Rio. Veja vídeo
A investigação também apura um testamento que teria sido elaborado cerca de duas horas antes da morte do empresário
atualizado
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nessa segunda-feira (2/6), a Operação Último Suspiro para investigar um grupo suspeito de se aproveitar da condição de saúde do empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho (foto em destaque), 78 anos, com câncer em estágio terminal para assumir o controle de empresas detentoras de precatórios milionários e movimentar recursos que podem chegar a R$ 1 bilhão.
Policiais da Delegacia de Defraudações (DDEF) cumpriram mandados de busca e apreensão no Centro e nas zonas Sul, Norte e Oeste da capital fluminense. Os alvos são investigados por estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica.
Segundo a investigação, alterações societárias consideradas suspeitas ocorreram cerca de três meses antes da morte do empresário.
Os investigadores apuraram que empresas titulares de precatórios de alto valor econômico passaram para o controle de pessoas ligadas aos investigados. Paralelamente, novas empresas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Precatório de R$ 38 milhões
As apurações apontam ainda que parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões foi cedida a escritórios de advocacia poucos dias antes da morte do empresário.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a utilização de documentos supostamente assinados pela vítima e a concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo investigado durante o período em que o empresário enfrentava a doença.
De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que algumas assinaturas utilizadas nas operações tenham sido falsificadas.
Testamento horas antes da morte
A investigação também apura um testamento que teria sido elaborado cerca de duas horas antes da morte do empresário.
Segundo a polícia, o documento atribuía a uma das investigadas funções estratégicas na administração do patrimônio, incluindo os papéis de testamenteira, inventariante e beneficiária de bens.
Os investigadores identificaram ainda que, apenas sete dias após o falecimento da vítima, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta de uma das investigadas.
A suspeita é de que os valores tenham origem em créditos relacionados aos precatórios que estavam vinculados às empresas controladas pelo empresário.
Operação
A Polícia Civil informou que a investigação se estendeu por meses e revelou indícios de uma estrutura criada para assumir ativos milionários e dificultar o rastreamento dos recursos.
Com a operação, os agentes pretendem apreender documentos, dispositivos eletrônicos e registros financeiros que possam esclarecer a dinâmica das movimentações patrimoniais e identificar todos os envolvidos no suposto esquema.
O material recolhido será analisado e poderá servir de base para novas medidas judiciais e eventual responsabilização criminal dos investigados.