
Mirelle PinheiroColunas

PF não “fecha as portas” para delação de ex-presidente do BRB
Paulo Henrique Costa está preso desde abril e negociações dependem de provas inéditas sobre esquema investigado pela PF
atualizado
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A Polícia Federal (PF) mantém aberta a possibilidade de um acordo de delação premiada com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso preventivamente desde abril deste ano, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo apurou a coluna nesta quarta-feira (27/5), a PF não “fechou as portas” para uma eventual colaboração de Paulo Henrique. Entre os pontos discutidos, estariam a devolução de valores relacionados às supostas fraudes investigadas no BRB e informações sobre o chamado “caminho do dinheiro”, considerado um dos principais requisitos para o avanço da negociação.
Apesar disso, o acordo só poderá ser formalizado caso a delação apresente fatos inéditos, relevantes e que possam ser, eventualmente, comprovados.
Relembre
Paulo Henrique Costa é investigado por suposta participação em irregularidades envolvendo o BRB e o Banco Master. Um relatório da Polícia Federal encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta indícios de participação direta do banco nas fraudes investigadas.
Entre os elementos que compõem o processo, estão mensagens trocadas entre Costa e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em uma das conversas, após negociações envolvendo imóveis de luxo em São Paulo, Costa afirmou que os dois estariam “juntando suas vidas”.
De acordo com a investigação, os imóveis teriam sido usados como contrapartida a aportes bilionários realizados pelo BRB no Banco Master. A PF suspeita que Paulo Henrique Costa tenha aceitado receber seis imóveis avaliados em cerca de R$ 146 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 74 milhões já teriam sido pagos.
Um dos apartamentos fica no condomínio Heritage, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e está avaliado em cerca de R$ 45 milhões.
Os investigadores destacam que as mensagens analisadas revelam um fluxo de comunicação contínuo entre os envolvidos, com tratativas sobre valores, unidades e andamento das negociações.
Segundo a investigação, as tratativas estavam em andamento quando foram abruptamente interrompidas. A suspeita é que Daniel Vorcaro tenha sido informado, de forma irregular, sobre a existência da investigação da Polícia Federal, o que teria levado à paralisação das negociações.
As transações imobiliárias foram apontadas como um dos principais fundamentos para o pedido de prisão de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro.
Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente em 16 de abril de 2026, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF).