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Mirelle Pinheiro

PF mira líder de garimpo de R$ 200 milhões que usa três identidades

Com três nomes diferentes, o homem é apontado como chefe da organização criminosa que já movimentou R$ 200 milhões

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Divulgação\PF
PF mira líder de garimpo de R$ 200 milhões que usa três identidades

A coluna apurou que o homem apontado pela Polícia Federal (PF) como líder de um esquema de garimpo ilegal que movimentou mais de R$ 200 milhões utiliza ao menos três identidades diferentes para escapar das autoridades e manter as atividades do grupo criminoso.

Conhecido como Jaime Hoffelder, ele também se apresentaria como Luiz Paulo Mallmann e Benjamim Pereira Leite. Segundo as investigações, seria o responsável por financiar a extração ilegal de cassiterita, articular o “esquentamento” do minério e operar uma rede de empresas de fachada usada para lavagem de dinheiro.

O uso de múltiplas identidades, porém, não é a única estratégia adotada pelo suspeito. De acordo com a PF, Jaime também promove uma espécie de rodízio de empresas ligadas ao esquema.

Sempre que pessoas jurídicas passam a ser alvo de investigações ou operações policiais, elas são abandonadas e substituídas por novas empresas. A prática, segundo os investigadores, tem como objetivo manter o fluxo financeiro da organização e dificultar o rastreamento dos recursos obtidos ilegalmente.

As investigações apontam que os integrantes do esquema teriam sido responsáveis pela exploração ilegal de minério em larga escala, movimentando valores superiores a R$ 200 milhões e causando expressivos prejuízos à ordem econômica, além de danos ambientais.

A lavagem de dinheiro

Segundo a PF, o grupo utilizava documentos e operações simuladas para dar aparência de legalidade a minérios de origem irregular.

O esquema envolveria o uso de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) falsas, referências a leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM) e registros fictícios de beneficiamento, criando uma cadeia documental destinada a ocultar a verdadeira procedência do minério.

Os alvos

Jaime seria o responsável por financiar os garimpeiros, coordenar o “esquentamento” do minério e, posteriormente, comercializá-lo com aparência de legalidade. Além disso, também teria a função de lavar dinheiro por meio de laranjas e empresas de fachada.

A companheira dele, identificada como Monique dos Santos Silva, também é alvo da investigação. Segundo as apurações, ela seria uma “laranja” consciente do esquema e proprietária da empresa de fachada Pryhry, que teria sido utilizada com frequência para movimentar e lavar recursos de Jaime. O casal está foragido.

Outro alvo é Marcelo Rica, sócio da fundição de metais não ferrosos Tratho. Ele é apontado como responsável pela compra final da cassiterita extraída ilegalmente e pela comercialização do minério já beneficiado.

Marcelo Rica foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (18/6), e um veículo Porsche registrado em seu nome também foi apreendido.

Já Edegar dos Santos Ribeiro é apontado como contador das principais empresas utilizadas por Jaime para movimentar recursos ilícitos e emitir notas fiscais frias.

Ronaldo Carlos Maia e Fernando Magno, por sua vez, seriam responsáveis por empresas envolvidas no beneficiamento do minério ilegal enviado pelas empresas de fachada ligadas a Jaime.

Operações

Nesta quinta-feira (18/6), a PF deflagrou duas operações que integram a primeira fase da Operação Trono de Ferro, iniciada em 19 de fevereiro deste ano. Na ocasião, foram cumpridos 36 mandados, resultando na prisão de seis pessoas e no bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores.

Segundo a PF, as medidas cautelares visam interromper as atividades criminosas, aprofundar a coleta de provas e identificar outros envolvidos no esquema.

Além da prisão de seis pessoas, a operação determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões, elevando para mais de R$ 650 milhões o total de bens e valores indisponibilizados no âmbito da investigação.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, lavagem de dinheiro, falsidade documental e outros delitos correlatos.