
Mirelle PinheiroColunas

PF identifica “fábrica” de documentos falsos no Banco Master
As informações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura negócios entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB)
atualizado
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A Polícia Federal (PF) identificou que documentos usados em operações do Banco Master seguiam um mesmo padrão e eram produzidos em série para dar aparência de legalidade a ativos sem lastro.
A conclusão aparece após análise de materiais apreendidos. Segundo a investigação, contratos, extratos, planilhas e procurações foram elaborados com estrutura semelhante, repetindo modelos em diferentes operações.
Os investigadores também encontraram indícios de alterações nos registros. Há documentos com datas retroativas, extratos com ajustes manuais e contratos padronizados, o que, na avaliação da PF, compromete a autenticidade das informações.
Outro ponto é o uso de procurações consideradas atípicas. Em alguns casos, documentos teriam sido assinados por representantes ligados à própria estrutura investigada. Pessoas apontadas como tomadoras de crédito afirmaram não reconhecer operações em seus nomes.
Relatórios técnicos ainda indicam falhas nos registros analisados e ausência de documentação básica para sustentar as carteiras de crédito.
O Banco Central já havia identificado problemas em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), o que reforçou as suspeitas sobre a validade dos ativos.
As informações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura negócios entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Nesta fase, foram presos o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, citado como responsável por estruturar operações financeiras ligadas ao caso.
A investigação apura crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
